Escolas adventistas dão destino sustentável para lixo eletrônico

Escolas adventistas dão destino sustentável para lixo eletrônico

Atualizado: Quinta-feira, 2 Setembro de 2010 as 11:51

O Brasil lidera o ranking dos países emergentes que geram o maior volume de lixo eletrônico per capita. Dados do Programa da ONU Para o Meio Ambiente (Pnuma) revelam que o país está entre as nações que mais abandonam computadores, celulares, aparelhos de TV e geladeiras.

No mundo, as estimativas denunciam que 40 milhões de toneladas de lixo eletrônico são geradas todos os anos. A preocupação da ONU é quanto ao crescimento desse fenômeno nas economias emergentes e a incapacidade delas de gerenciar corretamente esse material, composto, em muitos casos, por elementos químicos perigosos para a saúde humana. Um destino sustentável para esses resíduos seria uma forma de reduzir o impacto ambiental, evitando, por exemplo, a exposição deles na natureza e a contaminação de lençóis freáticos. Mas as pesquisas mostram que esse ainda não é um hábito enraizado na cultura brasileira.

Para que essa atitude vire rotina, a rede educacional adventista gaúcha partiu para a prática. “O desafio de avançar de ideias bem-estruturadas no papel para ações efetivas que levem a mudanças conceituais e de atitude é um dos objetivos da campanha que a escola adventista realiza, chamada ‘Educação + Verde – preservando a natureza que Deus criou’. Isto se evidencia nesta ação apresentada às escolas, de dar um destino útil a todos os equipamentos eletrônicos em desuso”, explica a diretora da rede para a região central do Estado, Gislaine Fortes.

Na sala de aula, os professores estimulam a consciência ambiental e a escola se prontifica a receber o lixo eletrônico trazido pelos estudantes, incumbindo-se da tarefa de dar um destino sustentável a ele.

Na tarde da última terça-feira, 31 de agosto, uma remessa de computadores e impressoras sucateados foi levada para uma empresa de reciclagem em Novo Hamburgo (RS). Jeferson Messa, diretor da Otser, reforça que boa parte dos componentes desses aparelhos pode ser reaproveitada. “No caso de computadores, por exemplo, o aproveitamento é de 100%. Existem, é claro, alguns materiais que são um pouco mais complicados e tem um custo pra isso. É o caso dos monitores. Para você conseguir dar um retorno correto aos monitores, antes de eles sofrerem qualquer tipo de reciclagem o vidro deles tem que ser descontaminado. Fora isso, o restante das peças tem reciclagem, dentro ou fora do país”, esclarece. No caso das placas de computadores, ainda não há sistemas de reciclagem dentro do País. Elas são direcionadas para usinas de reciclagem em países como o Canadá, onde são retirados os metais pesados (como cádmio e chumbo) e metais valiosos (como outro e prata). “Temos nelas [placas] uma série de metais que hoje já estão começando a faltar na natureza e que, uma vez presentes nesses acessórios, apresentam o melhor custo benefício”, realça Messa.

Há situações em que os objetos descartados ainda funcionam de forma razoável e, nesse caso, o equipamento nem chega a ser desmanchado para aproveitamento dos metais ou de outros itens. Pode ser direcionado para atender comunidades carentes ou entidades sociais.

Segundo o responsável pela empresa, no cenário atual as pessoas físicas manifestam maior consciência quanto ao destino do lixo eletrônico do que as pessoas jurídicas. “As pessoas físicas nos procuram e querem saber que destino vai ser dado, se tem custo. Já em relação às empresas, nós podemos dividi-las em duas classes. As quem têm ISO 14000 estão preocupadas e focadas na destinação correta. Mas em muitas outras é preciso haver uma conscientização. Boa parte delas ainda tem a mentalidade de fazer dinheiro com o lixo”, considera.  

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