Espólio dos votos evangélicos de Garotinho vira alvo de disputa

Espólio dos votos evangélicos de Garotinho vira alvo de disputa

Atualizado: Sexta-feira, 2 Julho de 2010 as 2:44

Com a desistência de Anthony Garotinho de disputar o governo do Rio, as atenções dos comandos de campanha do governador Sérgio Cabral (PMDB) e do deputado federal Fernando Gabeira (PV) estão voltadas para o eleitorado do ex-governador, estimado, segundo pesquisas, em cerca de dois milhões de votos, boa parte vinculada aos evangélicos. Gabeira disse que espera a ajuda da candidata à Presidência do PV, Marina Silva, que é evangélica, para atrair esses eleitores. No PMDB, a estratégia será recorrer à ala do partido ou a lideranças da coligação com trânsito nesse setor.

Apesar do interesse comum, PV e PMDB têm objetivos distintos. O grupo de Cabral acredita que o eleitorado de Garotinho poderá ajudá-lo a definir as eleições no primeiro turno. Já a equipe de Gabeira quer levar a disputa para o segundo turno. A avaliação é a de que Fernando Peregrino, o candidato do PR ao governo do Rio lançado por Garotinho anteontem, não terá tempo suficiente para conquistar os votos do ex-governador.

Inicialmente, o caminho de Gabeira deverá ser os fiéis da Assembleia de Deus, igreja da qual Marina é membro. Mas a tarefa não será fácil, já que o principal líder da congregação no Rio é o pastor Manoel Ferreira, que apoiava a candidatura de Garotinho. No interior, Gabeira terá bases de campanha em cidades-chave, como Campos, que era administrada pela mulher do ex-governador, Rosinha Garotinho. Ela teve o mandato cassado pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE).

- A ponte (com os evangélicos) pode ser a Marina, que é da Assembleia de Deus - disse Gabeira.

Segundo o presidente regional do PV, Alfredo Sirkis, o maior desafio será fazer Marina se aproximar desses fiéis: - Teremos de passar por cima ou por debaixo da porteira - afirmou Sirkis, referindo-se ao pastor Manoel Ferreira. Os verdes trabalham ainda com a possibilidade do que eles chamam de "voto de protesto”, ou seja, eleitores que votariam em Garotinho, mas se recusam a apoiar Cabral.

No PMDB, o deputado estadual Edson Albertassi e o pastor Everaldo (PSC), suplente do deputado Jorge Picciani, que concorre ao Senado, são apontados como possíveis articuladores de uma aproximação com os evangélicos que apoiavam Garotinho. Outro que poderia participar dessa articulação é o deputado federal Eduardo Cunha (PMDB), também vinculado ao eleitorado evangélico:

- No Rio, já estou trabalhando para conquistar apoios do meio evangélico para a ministra Dilma Rousseff. E, claro, sou do PMDB e posso fazer isso também para o governador Sérgio Cabral. Mas não sou o único que pode ajudar nessa articulação - diz Cunha.

Garotinho passou o dia seguinte à sua desistência de concorrer ao governo em seu escritório, no Rio. Recebeu correligionários e candidatos do PR, preparando a campanha. A estratégia de Garotinho, que concorrerá a deputado federal, será a de colar sua imagem à de Fernando Peregrino, o candidato do PR ao governo. Por: Cássio Bruno, Fabio Vasconcellos e Duilo Victor

Postado por: Felipe Pinheiro

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