Estudante evangélico morre picado por abelhas em passeio

Estudante evangélico morre picado por abelhas em passeio

Atualizado: Terça-feira, 27 Abril de 2010 as 12

No title Todas as turmas do turno da manhã da Escola Municipal Rosemira de Oliveira Cavalcante prestaram, ontem, dia 26, uma homenagem ao estudante Lucas Pereira Kaufmann Dutra, de 12 anos, que morreu na noite da última quarta-feira depois de ter sido picado por mais de mil abelhas. Os alunos fizeram uma oração e ficaram um minuto em silêncio, em tributo ao colega. A avó da criança, Helena Dutra, que também estava no colégio na manhã de ontem, disse ter ouvido elogios dos amigos e professores de Lucas e, emocionada, contou que toda a família ainda está muito abalada com a morte.

Na quarta-feira, Lucas estava com um grupo de 20 pessoas, membros de uma igreja evangélica, fazendo uma visita à localidade conhecida como Mirante do Bela Vista, próximo à divisa entre os bairros Bela Vista e Caxambu. O grupo pretendia conhecer a pedra chamada Cabeça de Cavalo, quando entrou na trilha errada e acabou se deparando com a colméia. As abelhas começaram a atacar as pessoas, mas Lucas foi o caso mais grave, pois teria desmaiado e não conseguiu escapar. Ele ficou na trilha, desacordado, por meia hora até ser resgatado. Chegou a ser internado, mas morreu horas depois.

Por ser feriado, e como a escola estava em recesso, muitos alunos só ficaram sabendo do incidente nesta segunda-feira, quando retomaram as aulas. A diretora Edileia Cristina Mussel informou que, apesar de ter sido uma fatalidade, alunos e funcionários não se conformaram com a morte precoce de Lucas e alguns amigos choraram quando lembraram do colega. “Ficamos nos perguntando por que foi acontecer isso, logo com uma criança. São coisas que não temos como explicar. Todos estamos muito tristes. Ele era um menino ótimo, com valores de família, muito bem criado”, explicou.

Lucas cursava o sétimo ano do ensino fundamental, no período da manhã. Uma de suas professoras, Isaura Gonçalves, lembrou que o estudante tinha muitos amigos. “Ele era um menino especial, levado como qualquer garoto dessa idade, mas muito bom. Atencioso com os colegas, amigo dos amigos e muito preocupado com os outros. Em cada turma fizemos uma oração e um minuto de silencio, em uma delas um amigo chorava muito”, frisou, ainda abalada.

Família ainda está abalada

Lucas morava com o pai, o irmão, de 18 anos, e a madrasta na Rua Brigadeiro Castrioto, próximo ao Caminho do Doutor, no Bairro Esperança. A avó dele, Helena Dutra, que mora na casa quase que ao lado, explicou que ajudava a criar o neto. Com lágrimas nos olhos, ela lembrou que ele era um garoto “alegre e especial”. “Ele estava sempre muito contente, inclusive no dia que aconteceu, ele estava super feliz, brincando. Estamos todos ainda muitos abalados, agora temos que esperar e confiar em Deus”, observou.

A avó ainda disse que era uma das pessoas que estavam com o grupo no Bela Vista, mas que, no momento que o neto foi picado, estava distante. “Eles estavam mais a frente. Muita coisa está sendo falada, mas nem eu, que estava lá, sei ao certo o que aconteceu”, completou.

Após ser resgatado da trilha, Lucas foi levado ao Hospital Alcides Carneiro, onde já chegou em estado grave, apresentando diversas picadas de abelhas por todo o corpo. Foi atendido e encaminhado à Unidade de Terapia Intensiva (UTI), mas faleceu no início da noite por choque anafilático (reação alérgica aguda). O sepultamento foi acompanhado, por dezenas de pessoas, na tarde da última quinta-feira, no Cemitério Municipal.

Por Roberta Müller

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