Estudantes de Teologia desenvolvem projeto socioambiental adotado pelo Metrô de SP

Estudantes de Teologia desenvolvem projeto socioambiental adotado pelo Metrô de SP

Atualizado: Quinta-feira, 1 Julho de 2010 as 4:55

O professor Paulo Garcia, coordenador do Curso de Teologia da FaTeo (Faculdade de Teologia da Metodista), estava andando próximo ao metrô Tucuruvi, na zona norte de São Paulo, quando recebeu um folheto. Teve, então, uma agradável surpresa: tratava-se da divulgação do Projeto Estação Socioambiental da ONG Ecos do Vitória, na qual alunos de Teologia do quarto ano noturno realizam seu estágio acadêmico. O professor pode, então, constatar os primeiros frutos de um trabalho que, até então, ele conhecera apenas como uma promissora ideia.

O programa de coleta seletiva de materiais recicláveis e educação socioambiental havia sido incorporado pelo Metrô de São Paulo em um projeto piloto na Estação Tucuruvi.O estágio acadêmico (ministerial e de promoção humana) é uma exigência da grade curricular do curso de Teologia da FaTeo. O aluno Rogério dos Santos não teve dúvidas quando precisou escolher uma área de atuação: desde 2008 ele trabalhava voluntariamente na Ecos do Vitória, organização não governamental que nascera em 2002 a partir de um projeto de educação ambiental e coleta seletiva nas ruas do bairro Parque Vitória, distrito do Tucuruvi. Os participantes da ONG, todos voluntários, criaram o "Ecoponto Vitória", um local de seleção e armazenamento do material reciclado coletado no bairro e gerenciado por cooperativa. Na área de 1.200 m² o material reciclável coletado nas residências, porta a porta, era selecionado, prensado e armazenado para retornar às indústrias. Esta primeira iniciativa gerou outras, como adoção de praças e monitoramento da qualidade da água dos rios, e espalhou-se para outros bairros próximos dando corpo à nova ONG.

Rogério começou a colaborar na ONG como "coordenador de relações institucionais e cultura de paz", como ele define a função que o responsabiliza tanto pela mediação de conflitos entre os catadores da cooperativa quanto ao cultivo do nem sempre fácil relacionamento com os órgãos públicos. Ao ingressar no programa de estágio, ele convidou seus colegas de estudo para formar uma equipe: além de Rogério, fazem estágio na Ecos do Vitória os/as estudantes Chrystiane U. F. A. Edmundo, Edmilson M. Saraiva, Eduardo Seixas Júnior, Eduardo Stambassi e Patrícia K. de Medeiros.

Esta equipe de futuros teólogos, todos da turma do quarto ano noturno, foi fundamental para a criação e concretização do projeto piloto adotado agora pelo Metrô de São Paulo na estação Tucuruvi, com a perspectiva de que a coleta seletiva de resíduos e educação socioambiental seja estendida a outras estações do metrô. Segundo Rogério, a equipe foi responsável pela elaboração da logística, cálculo de custos e criação do material de divulgação. A elaboração artística dos folhetos informativos ficou a cargo de Eduardo Stambassi. Todo o trabalho foi acompanhado de perto pelo coordenador do estágio acadêmico, professor Geoval Jacinto da Silva, e da coordenadora executiva da ONG, Romilda Maria Hadad.

O próximo passo da equipe é a busca de apoio institucional para a inclusão do Projeto Estação Socioambiental no programa "Biobairro Escola Parque Vitória". Rogério explica que se compreende o "biobairro" como uma área delimitada onde se estabeleça uma estrutura ambiental na qual os aspectos sociais, econômicos e ambientais estejam em harmonia. Ações como revitalização de praças, envolvimento com os setores privados e públicos atuantes no local, e geração de renda através de alternativas econômicas como artesanato e coleta seletiva fazem parte do projeto. "Nosso objetivo é, sobretudo, dar dignidade ao ser humano para que ele tenha condições de desenvolver ações ambientais. Não se pode falar em preservação ambiental sem considerar este aspecto", explica Rogério. Por isso, o futuro teólogo também credita às Igrejas um importante papel na educação socioambiental e já está desenvolvendo projetos que possam ser aplicados por comunidades eclesiais. O comprometimento das Igrejas no desenvolvimento socioambiental é o tema do trabalho de conclusão de curso que deve apresentar no final deste ano. Tal como a ideia da coleta seletiva no metrô, esta pode ser mais uma semente prestes a germinar.

Por: Suzel Tunes

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