Estudo tenta desvendar a "vontade de Deus"

Estudo tenta desvendar a "vontade de Deus"

Atualizado: Quarta-feira, 5 Janeiro de 2011 as 2:27

É normal dizermos que buscamos seguir a vontade de Deus. Todo aquele que entrega o seu caminho ao Senhor tem certeza de que tudo Ele fará. No entanto, aqueles que não professam a mesma fé não entendem como descobrir o que de fato Deus quer, já que só uma minoria assevera receber ordens diretas do Criador. E exatamente por isso que a Universidade de Chicago decidiu pesquisar sobre o intrigante ponto na ótica daqueles que não vivem pela fé.

O pesquisador Nicholas Epley e seus colaboradores entrevistaram centenas de pessoas e as inquiriram sobre temas moralmente carregados, como aborto, ação afirmativa, casamento gay, pena de morte e legalização da maconha. Também perguntaram como elas achavam que Deus via essas questões. A título de controle, pediram que os entrevistados dissessem quais seriam as respostas de figuras públicas como George W. Bush e Bill Gates sobre esses temas.

Houve grande coincidência entre as opiniões do indivíduo e aquelas que ele atribui a Deus. Por exemplo, quando a favor da pena de morte, o indivíduo tende a dizer que o Criador também a defende – e vice-versa. Até aí não há muita surpresa. Vários estudos psicológicos já haviam demonstrado que nossas próprias convicções influem bastante sobre aquilo que imaginamos que outras pessoas pensam.

No entanto, os trabalhos de Epley chamaram mais atenção da comunidade científica quando induziu os participantes a modificar seu juízo, convidando-os a ler, diante de uma câmara, discursos contrários a seu ponto de vista inicial. Aí, como previsto pela psicologia experimental, o sujeito tendia a reformular suas ideias. Segundo pesquisadores, o curioso foi constatar que, nessas situações, a “opinião de Deus” também mudava, mas as atribuídas a Bush e Gates não.

Epley também submeteu algumas de suas cobaias a estudos de neuroimagem, para constatar que, quando pensavam sobre o que Deus diria, ativavam os mesmos circuitos usados no pensamento autorreferencial.

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