"Eu não temo o homem, eu temo a Deus", afirma rapper T-Bone

"Eu não temo o homem, eu temo a Deus", afirma rapper T-Bone

Atualizado: Quinta-feira, 12 Fevereiro de 2009 as 12

Em última apresentação em São Paulo, rapper afirmou não se importar com o que os outros pensam, e sim com o que o Senhor manda

Por Felipe Pinheiro

Pela primeira vez no Brasil, o rapper californiano T-Bone passou por Santa Catarina, Curitiba, Rio de Janeiro e São Paulo. O término da turnê, que aconteceu na sede da Igreja Bola de Neve, na última terça-feira, dia 10 de fevereiro, teve abertura do Grupo Paralelo, de Porto Alegre. "Para nós é uma grande honra fazer parte dessa história. Agradecemos a Deus pela oportunidade", afirmou o vocalista Mr. Kalé .

Embora tenha 25 anos de carreira, somente agora T-Bone veio ao Brasil. "Já viajei para várias partes do mundo, mas recebi o convite para visitar o Brasil só agora. Para muita gente aqui a minha música é nova", disse. Reconhecido no meio cristão e não-cristão com um estilo que passa pelo rap e o hip hop, o rapper, em determinado momento, contagiou o público com letras cantadas rapidamente de trás para frente. Como num evento evangelístico, no final T-Bone apresentou Jesus para que vidas tivessem seus nomes escritos no Livro da Vida. "Aí já não é mais entretenimento, é ministério", enfatizou T-Bone.

Como o evento possui uma característica essencialmente evangelística, o show poderia ter sido realizado num espaço público. No entanto, para o ator e apresentador do programa Clip Gospel (Rede Gospel) Matheus Petinatti, "é possível fazer o som no meio da rua, que você ganha vidas para Jesus. A Palavra de Deus não volta vazia. Mas fazer aqui é em razão da logística, da organização".

Pouco antes de subir no palco, T-Bone conversou com a imprensa gospel sobre a carreira, a oportunidade de falar de Jesus para artistas como Cuba Gooding Jr e Beyoncé ao fazer o filme "Resistindo às Tentações", a resistência de rappers não-evangélicos em relação ao hip hop voltado a Deus e até uma situação embaraçosa que viveu quando apresentou o Music Awards.

Comparação com Che Guevara

"Ouvi algumas pessoas dizendo coisas controvérsias quando viram a minha foto parecida com a do Che Guevara. Esse álbum foi um grande sucesso. Muitos sábios foram confundidos por meio desse trabalho Foi muito controverso, não só nos EUA, mas também na África e em várias partes do mundo.

O motivo pelo qual escolhi a foto do Che Guevara não foi de forma alguma para cumprimentar o líder. Foi simplesmente para representar a revolução. O hip hop é uma música que é vulgar, degradante, promove violência, sexo e materialismo. Ele [Che Guevara] queria que o mundo soubesse que veio para revolucionar e mudar os conceito [...] e até morreu por algo que ele acreditava.

Isso que estou fazendo não é um show. Isso aqui é o que eu sou. Eu verdadeiramente estou pronto para trazer o que eu aprendi, que é usar o hip-hop pelo motivo original, que é glorificar o nome de Jesus".  

Visita ao Brasil após tanto tempo de estrada

"Estamos há 25 anos na estrada, mas o primeiro álbum só saiu há 16 anos. Já viajei para várias partes do mundo, mas recebi o convite para visitar o Brasil só agora. O Brasil está um pouco “atrasado” no que diz respeito a outros lugares onde minha música toca. Para muita gente aqui a minha música é nova.

Foi incrível estar aqui. Tivemos um tempo maravilhoso e prometo que não é a última vez que venho ao Brasil".

Influência

"Ouço todo o tipo de música. O Hip Hop não é a minha única influência.  O hip hop influenciou muito minha juventude em Los Angeles. Mas quando cresci, passei a gostar de outros estilos. Ouço muita música árabe, africana, asiática, amo o samba, salsa, merengue. O próximo álbum que eu vou fazer, a não ser que Deus mande algo diferente, vai ser praticamente o último álbum de hip hop.

Estou disposto a mudar o próximo capítulo em relação ao estilo musical. Será algo mais eclético que misture todos os tipos de música. Vai ser uma mistura de hip hop, salsa, merengue com adoração, louvor, samba, música árabe".

Situação embaraçosa

"Eu tenho muitas dessas histórias (risos). Tem uma situação muito, muito, muito embaraçosa. Foi a primeira vez que estava me preparando para abrir o Music Awards ao vivo, internacional, na televisão. Quando estava passando o som, o meu estômago começou a roncar.

Quando caminhava em direção ao banheiro,  algumas pessoas já estavam vindo na minha direção, pois as portas já estavam abertas. Tentando chegar ao banheiro, as pessoas me paravam no caminho e falavam: 'T-Bone, que bom que você tem um novo álbum' [...] Quando finalmente passei pela última pessoa no caminho, corri para o banheiro, mas não consegui chegar a tempo. Aí corri para o hotel para poder me trocar e voltar a tempo. Mas eu fico tranqüilo, não me embaraço com essas histórias".

Melhores amigos no meio gospel

"Tenho muito respeito pelo Toby Mac (D.C Talk), por tudo que ele fez, e pelas portas que ele abriu e continua abrindo. Vamos juntos para muitos lugares.  Tenho muitos amigos na música., mas um dos meus melhores amigos é o Mark Stuart, vocalista principal do Áudio Adrenalina".

Participação no filme "Resistindo as Tentações"

"Com certeza foi um filme muito importante para a minha carreira. O papel foi originalmente escrito para um outro artista americano, mas eles não conseguiram fazer os arranjos para que ele participasse, então acabei disputando o papel com muitos rappers famosos.

Foi realmente uma bênção de Deus ter pegado esse papel e fazer boas amizades com Cuba Gooding Jr., Beyoncé e muitos outros no set.

A grande coisa não foi estrear num dos filmes que foi "top" em Hollywood. Durante muitas oportunidade pude orar com a Beyonceé, conversar a respeito da Palavra com o Cuba Goddin Jr. e com o outro rapper que fez parte do filme com quem eu pude compartilhar a Palavra e trazer essa pessoa para Jesus. A questão ministerial foi a mais importante, porque o lado musical ficou em segundo plano.

Durante o show, vamos fazer uma grande apresentação de hip hop, um rap rápido ao contrário, mas no final vamos adorar a Deus e, como eu faço nos últimos 25 anos, farei um chamado no altar. E aí já não é mais entretenimento, é ministério".

Resistência em relação a rappers que fazem hip hop e não são evangélicos  

"Eu não me preocupo muito com isso. Faço o que Deus manda. Muita gente não concorda que eu faça rap para Deus, assim como muitos cristãos não concordam eu faça hip hop. Mas você está olhando para um artista que não se importa muito com essas coisas. Eu não me amedronto com as pessoas. Eu não temo o homem, eu temo a Deus.

Se eu me preocupasse com o que as pessoas pensam, já teria parado há muito tempo. Sabia que Deus tinha me chamado com um propósito, por isso continuei lutando e aqui estou hoje".

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