"Eu quero olhar nos olhos de Deus" diz Dr. Hollywood em entrevista

"Eu quero olhar nos olhos de Deus" diz Dr. Hollywood em entrevista

Atualizado: Segunda-feira, 25 Abril de 2011 as 9:11

A entrevista estava marcada para as 10 horas da manhã. A equipe do iG Gente chega ao Hotel Grand Hyatt em São Paulo na hora marcada, mas após uma ligação, acaba esperando por mais de uma hora para o início da conversa.

De terno, camisa rosa e "gravata da grife Dolce&Gabbana”, como logo enfatizou, Dr. Robert Rey atravessa o saguão do hotel de maneira bem diferente pela qual é conhecido, com regatas transparentes e calças justas. Alegre, ele faz a festa de hóspedes, funcionários e das fãs, que o aguardavam desde o início da manhã.“Desculpe pela demora. Tive uma festa e cheguei às 6 horas”, soltou ele na primeira frase, sem negar também que demorou para se arrumar, como de costume. Rey carrega com ele pó-compacto e brilho labial, além de um minifrasco de perfume, que leva escondido na meia. No entanto, com toda a pose de vaidoso, ele conta que na semana anterior quebrou o braço de um gringo que o chamou de gay. "Me visto assim por conta dos US$ 5 mil que minhas clientes pagam por meia hora comigo no consultório de Beverly Hills".

Mesmo sem ser levado à sério por boa parte de seus colegas de profissão, só no ano passado Dr. Rey diz ter faturado R$157 milhões (US$100 milhões) em cirurgia plástica e com a venda de seus produtos, que vão de cápsulas para emagrecer e cintas modeladoras a shakes, entre outros. Natural de São Paulo, após ir para a prisão por duas vezes, foi adotado por missionários norte-americanos e acabou estudando medicina em Harvard. "Eu sou o perdedor com mais sucesso no mundo", diz.

Confira  trechos da entrevista exclusiva com o Robert Rey durante uma rápida passagem dele pelo Brasil...

iG: Você já contou em seu programa que teve uma infância triste. Como foi?

Dr. Rey: Meu pai era um camarada ruim. Alguma coisa aconteceu na Segunda Guerra Mundial que    f **** o cérebro dele. Ficou louco e fugiu dos Estados Unidos. Imagina, quem foge dos Estados Unidos? Foi para a Argentina e depois para São Paulo. Mas o cara era um monstro, só levava dinheiro para suas amantes. Eu dormia numa mesa, não tinha comida suficiente, nem roupa. Já estava começando a roubar lojas e fui para a cadeia duas vezes. Eu estava mal encaminhado...

iG: Como saiu dessa situação?

Dr. Rey: Um dia batem na minha porta e eram dois missionários americanos, que me levaram para os Estados Unidos. Foi assim. A família era tão culta, que de filho de faxineira acabei me formando em Harvard.

iG: E como foi estudar em uma das faculdades mais exclusivas do mundo?

Dr. Rey: Os caras de Harvard são super-racistas mesmo. Na porta física você entra, mas como brasileiro ou sem o sangue azul, você nunca era convidado para as festas. Sofri muito preconceito.

iG: Mas hoje você se transformou em um dos médicos mais conhecidos do mundo...

Dr. Rey: Eu pensava: “Como eu vou sobreviver aqui? Como eu, feinho e meio bobo, vou vencer desses caras?”. Vinte anos depois, vou falar como a história termina: nunca mais eu ouvi falar deles. Quem vence na vida é Dilma Rousseff, é a Madre Teresa, é o Obama. Quem ganha é quem se esforça.

iG: E como pagou o curso de medicina?

Dr. Rey: Saí de Harvard com US$ 200 mil de dívida. Sabe quanto tempo levou para eu pagar? Dois dias. Eu sou o perdedor com mais sucesso no mundo.

iG: Quanto você ganha hoje por ano?

Dr. Rey: Só no ano passado faturei US$ 100 milhões com os meus produtos. Um milhão e meio vem da cirurgia, o resto vem dos produtos, eu vendo no mundo inteiro, da África à Austrália.

iG: Qual o seu maior sonho hoje?

Dr. Rey: Estar perante do meu Deus, e falar: “Olha eu fiz os meus errinhos, mas eu melhorei a condição humana. E não tem que olhar para baixo. Eu quero olhar nos olhos de Deus. Quero também poder falar: “Fui leal a minha esposa, fui bom pai”. 

iG: Você é uma pessoa religiosa?

Dr. Rey: Trinta mil pacientes, cinco infecções. Estatisticamente isso não é possível. Zero mortes. Como você acha que eu fiz isso? Passei muitas horas de joelhos. E pagando o dízimo cada mês. Dez por cento.  

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