Eu sou de Paulo, eu sou de Calvino, eu sou de Armínio, e eu de Cristo

Eu sou de Paulo, eu sou de Calvino, eu sou de Armínio, e eu de Cristo

Atualizado: Terça-feira, 7 Janeiro de 2014 as 8

Eu sou de Paulo, eu sou de Calvino, eu sou de Armínio, e eu de CristoA história se repete. Não duvide. E dentro da Igreja, com muita frequência. Pois o que ocorreu na igreja da cidade de Corinto, há alguns séculos ganhou nova versão, promovida pelos autodenominados “reformados”. “Reformado” é todo aquele que acredita seguir os cânones da Reforma Protestante de Lutero, Calvino e os demais, inclusive os grupos pré-reformadores, que fique registrado.

Calvino (1509?1554) ganhou fama pela genialidade com que escreveu ou sistematizou a teologia durante o movimento da Reforma. Lutero acendeu o pavio que outros esticaram, mas o “genebrino” sentou e escreveu o que a turma discutia. Seu biógrafo, Theodoro Beza (1519?1605), tomou a obra de Calvino (As Institutas da Religião Cristã) e enfatizou sobremaneira a questão da predestinação. Enfatizou de tal modo que o próprio Calvino não havia feito.

Em nossos dias, os reformados, calvinistas, a partir da postura assumida pelos simpatizantes dessa corrente dentro do cristianismo, repetem à exaustão o esquartejamento do Corpo de Cristo, bailando um divisório “nós-ou-eles”. Calvinistas barulhentos são incansáveis em arrogar a si um conhecimento herdado, fruto da eleição divina, enquanto menosprezam aqueles que não compartilham as mesmas convicções.

Tenho muitos amigos calvinistas, professores, pastores etc. Um deles, de quem fui aluno, chegava a dizer que “arminiano você encontra em qualquer boteco, mas para ser calvinista é preciso estudar”. Que arrogância, irmão! Mais que isso. Leia um livro de autor calvinista com 300 páginas. Antes de entrar no tema do livro ele gastará as primeiras 100 páginas para refutar a doutrina arminiana, que admite o livre arbítrio no âmbito da salvação, posição enfaticamente rejeitada pelos calvinistas, que pensam ser a salvação um ato unilateral de Deus, fruto da eleição “da nata”, não podendo o homem rejeitá-la.

É lamentável ainda haver isso em nosso meio. Blogs, livros, mensagens, além de piadinhas compõem o portfólio dessa turma que divide a Igreja a pretexto de uma gnose que lhes foi imputada. 

Foi alguém batizado em nome de Calvino? Morreu Calvino por algum de nós? Paulo faz esta pergunta. E apenas para apimentar o debate, quando lemos um livro escrito por calvinista, é fácil notar a exaustiva citação feita ao reformador. Vez ou outra um texto bíblico, mas no geral citam Calvino. Isso lembra os textos sabatistas com igual dependência a Ellen White, a quem muitos classificam herege. O que muda? A fonte citada, mas o critério de composição dos textos é o mesmo. Então por que uns são hereges e outros não?

E ainda, os Cânones de Dort, tão venerado por este círculo, é a própria prova da unilateralidade divisionista de muitos calvinistas. Quem conhece a obra deve admitir. Se arminianos não compareceram àquela assembleia para defenderem suas posições – e o motivo justifica – como podem uns dizer que outros são hereges? É hora da ala reformada observar o lema da Reforma, Ecclesia reformata et semper reformanda est.

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