Evangélico disse que mulher seria morta "como o Pai"

Evangélico disse que mulher seria morta "como o Pai"

Atualizado: Sexta-feira, 2 Julho de 2010 as 2:25

Os vizinhos do casal André Wagner da Silva, 30 anos, e Joselma Elias da Silva, 25 anos, decapitada pelo marido na noite da quinta-feira (1º), relataram o que ouviram no momento do assassinato. Durante a discussão, André Wagner, que é evangélico, disse que Joselma da Silva seria morta "como o Pai", em alusão a Jesus Cristo.

Por volta das 21h30 da quinta-feira, os vizinhos ouviram gritos que vinham da sala da casa do casal, no Santarém. Na frente dos filhos de dois e seis anos, André Wagner usou uma faca peixeira para cortar a cabeça da mulher. "Ele gritava dizendo que ela ia morrer como o pai, falando de Deus", explicou a irmã de Joselma, Lurdes Pegado.

De acordo com a irmã da vítima, foi a filha de seis anos do casal que deu a informação sobre o crime. A menina foi até a casa da inquilina, que mora na frente da residência alugada pela família há dois meses, e pediu que a mulher a levasse até a casa da tia, Lurdes. Lá, a garota relatou o crime.

Segundo os vizinhos do casal e Lurdes Pegado, a criança de dois anos diz tudo o que ocorreu na sua casa, enquanto a irmã de seis anos está em choque.

Relação Apesar de não ter problemas com a família de Joselma da Silva, André Wagner tinha uma relação conturbada com a mulher. Os dois se separaram algumas vezes e, de acordo com Lurdes Pegado, a irmã já havia falado sobre ofensas que sofreu do marido. Uma das últimas separações do casal ocorreu antes do nascimento do filho de dois anos, quando os dois resolveram ir juntos a uma igreja evangélica.

Depois de mudarem a crença religiosa, o casal passou algum tempo frequentando a mesma igreja, mas André Wagner preferiu mudar para outra, também evangélica, por não ter gostado da que Joselma o havia levado.

Quando foi demitido do emprego de motoboy, André Wagner passou a fazer bicos de revenda de aparelhos celulares, mas parou de trabalhar recentemente e, segundo os vizinhos, passava o dia lendo a bíblia em casa, enquanto Joselma da Silva sustentava a casa com a venda de sobremesas e trufas.

"Ela (Joselma) relatou várias vezes agressões verbais, mas ele tinha uma boa relação com a família", disse Lurdes Pegado.

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