Evangélicos viram aliados de Obama em reforma da imigração

Evangélicos viram aliados de Obama em reforma da imigração

Atualizado: Segunda-feira, 19 Julho de 2010 as 11:43

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, ganhou um importante aliado em seu projeto de reforma de imigração. Líderes de igrejas evangélicas americanas, normalmente contrários ao político democrata, têm demonstrado apoio à legalização de imigrantes que já moram nos EUA, informa nesta segunda-feira (19) o jornal The New York Times.

Dos púlpitos e altares de suas congregações, pastores de tradicionais igrejas evangélicas pregam o apoio à reforma. Os líderes também realizam reuniões com outros religiosos e comparecem a eventos em Washington, capital dos EUA.

Matthew D. Staver, fundador e presidente de uma tradicional firma religiosa de advocacia, diz que sua ideologia política não o impede de apoiar Obama, apesar da discordância em muitos assuntos.

- Sou cristão, conservador e republicano, nessa ordem. Há muito pouco em que concordo com o presidente Obama. Por outro lado, não vou deixar que a retórica política ou a militância partidária influenciem meus valores, e ele (Obama) está certo nesse assunto (reforma da imigração).

De acordo com o NYT, na última quarta-feira (14), quando o presidente Obama fez um discurso defendendo a reforma, o pastor Bill Hybels, da igreja Willow Creek, foi o responsável pela apresentação. Três outros importantes pastores evangélicos estavam na plateia.

O diário americano afirma que a presença dos religiosos é, em parte, resultado do trabalho de pastores evangélicos de origem hispânica, que nos últimos anos fizeram "amizade" com pastores não hispânicos ao formar coalizões contrárias ao casamento homossexual e ao aborto, por exemplo.

O jornal afirma que o número de igrejas evangélicas com grande presença de hispânicos - grupo que seria o maior beneficiado pela reforma da imigração - tem crescido constantemente em muitas cidades dos EUA. 

Para o NYT, o apoio dos evangélicos ainda não é suficiente para mudar a equação da reforma, ameaçada pela oposição republicana. A presença desse grupo junto a tradicionais líderes religiosos, no entanto, pode ajudar a pender a balança conforme as discussões ganham força. 

Apesar disso, a reforma da imigração, um dos principais objetivos do presidente Obama, dificilmente será aprovada em 2010, já que parlamentares que tentarão a reeleição, em novembro, evitam tocar em assuntos sensíveis como esse às vésperas do pleito.

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