Ex-matador na Ditadura é pastor evangélico e confessa crimes que cometeu

Ex-matador na Ditadura é hoje pastor evangélico

Atualizado: Quarta-feira, 16 Maio de 2012 as 9:56

Cláudio Antônio Guerra é ex-delegado do DOPS (Departamento de Ordem Político Social) do Espírito Santo, e hoje é pastor da Igreja Assembleia do Reino de Deus.

Após sete anos preso sob acusação de ter matado um bicheiro, Guerra se converteu ao cristianismo e hoje dá seu testemunho nos púlpitos.

No livro “Memórias de uma guerra suja”, os jornalistas Rogério Medeiros e Marcelo Netto relatam a fama de Cláudio Guerra nos anos 70 como um ardiloso e implacável combatente da bandidagem às custas de mais de 35 execuções de acusados de crimes comuns, sendo que ele mesmo confessa 40 mortes anteriores. Os jornalistam também contam como ele cortejado pelo mundo político e empresarial.

Mas a imagem do delegado se desfez quando foi acusado de ter matado uma colunista de um dos jornais locais e quando acabou preso pelo assassinato de Jonatash Borlamarques de Souza, o bicheiro. Além de ter sido condenado pela morte de sua primeira esposa e da cunhada.

Ele também nega participação nesses assassinatos e costuma dizer em suas pregações: “Fui condenado por um crime que não cometi. Mas mereci a condenação pelos meus outros crimes”.

“Na cadeia eu passei a conhecer Jesus. Ao me aprofundar no conhecimento da palavra do Senhor, vi a necessidade de caminhar para além do perdão. E assim resolvi vir a público revelar todos os meus atos quando trabalhei em favor do regime militar. Aquilo que para mim era matar um inimigo ficou claro, com Jesus, não passa de crime hediondo", diz Cláudio Guerra.

O ex-delegado também prestará depoimento à Comissão da Verdade, criada para investigar abusos de direitos humanos cometidos entre 1946 e 1988, o que inclui a ditadura militar. E ele que está pronto para isso, pois já confessou tudo para Deus e agora tem que fazê-lo aqui na Terra.

 

com informações do Último Segundo

veja também