Existe uma bancada evangélica na Câmara de São Paulo?

Existe uma bancada evangélica na Câmara de São Paulo?

Atualizado: Sexta-feira, 30 Janeiro de 2009 as 12

De acordo com matéria da Folha Online, intitulada: "Bancada evangélica da Câmara Municipal impediu investigação de templos", um grupo reunindo cerca de 15% dos vereadores da Casa, estaria alinhado para defender os interesses, nem sempre éticos, das Igrejas Evangélicas.

O Portal Guia-me conversou com dois vereadores evangélicos de São Paulo, de diferentes vertentes, que negaram a existência de uma suposta "bancada evangélica".

Carlos Alberto Bezerra Júnior foi o vereador evangélico com maior número de votos, 50.536, é líder da bancada do PSDB na Câmara e afirma veementemente que não pertence a nenhuma "bancada evangélica". "Nunca existiu uma 'bancada evangélica' na Câmara. Eu desconheço este fato. Toda vez que a imprensa cita uma suposta 'bancada evangélica', se refere a um grupo que defende privilégios, que defende coisas que não tem absolutamente nada a ver com aquilo que eu creio como evangélico", relata.

Bezerra diz que é contra qualquer forma de privilégio para as igrejas. Por outro lado, também discorda de toda forma de preconceito contra o povo e a fé cristã. Como exemplo, o vereador fala que não concordou que as igrejas fossem isentas de fiscalização quanto à "Lei do Psiu" [restrição de ruídos na cidade a partir das 22h]. Mas também defende as questões dos evangélicos quando há injustiça, como aconteceu com a "Marcha para Jesus", que foi retirada da Avenida Paulista; enquanto a "Parada Gay" continua sendo realizada no local. "Quando se trata da questão de defesas de privilégios, eu sou radicalmente contra, não me alinho com qualquer tipo de manifestação neste sentido 'em nome do evangelho'. Agora, quando se trata da questão de injustiça, de preconceito a nós, evangélicos, a nossa fé, eu sempre me posiciono radicalmente contra quem promova isso", explica.

Em relação à notícia da Folha Online, Bezerra conta que não tem a informação de que vereadores evangélicos tenham impedido qualquer tipo de investigação, há dois anos, ocasião em que foi instalada a CPI do Licenciamento. "A matéria cita dois vereadores evangélicos que, supostamente, teriam se movimentado no sentido de impedir fiscalização de igreja. Estes dois vereadores teriam força para movimentar a Câmara toda e impedir uma possível investigação das igrejas na CPI? Não tem lógica, não se sustenta [...]".

O vereador Carlos Apolinário é líder de outra bancada importante, a do DEM, e também já foi deputado federal. "Não tem 'bancada evangélica' na Câmara de São Paulo. O que existe é uma unidade cristã. Se aparecer algum Projeto de Lei que prejudique a Igreja, vamos estar juntos e contra", explica. "Fora isso, cada um vota da forma que quiser, cada um trabalha por si", acrescenta.

Apolinário considera que há discriminação por parte da imprensa, porque sempre que o nome dele é citado escreve-se "evangélico" na seqüência. "Porque não colocam vereador católico, umbandista? A religião dos outros não importa, mas a minha importa?", questiona. Mas diz que é evangélico há mais de 50 anos e não tem problema nenhum em assumir a sua fé.

Quanto à matéria da Folha Online, o vereador afirma que não participou de nenhuma articulação para impedir a fiscalização de templos religiosos, há dois anos. Mas é a favor de que se as igrejas forem vistoriadas e fechadas, todos os outros comércios sejam também. "Não defendo nenhuma irregularidade, a Igreja tem que andar certa. Mas se a prefeitura fiscalizar templos, casas de shows, comércio, indústria, clubes [...], usando o rigor da lei, não tenho dúvida de que fechará mais de 90%". 

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