Falar sobre sexo: Por que isso ainda é tabu dentro do casamento?

Falar sobre sexo: Por que isso ainda é tabu dentro do casamento?

Atualizado: Sexta-feira, 11 Março de 2011 as 3:33

"A mulher não tem poder sobre o seu próprio corpo, mas tem-no o marido; e também da mesma maneira o marido não tem poder sobre o seu próprio corpo, mas tem-no a mulher" (1 Co. 7:4).

A sexualidade continua sendo tabu mesmo dentro do casamento? Para diversos casais, sim. Muitos relacionamentos têm sido prejudicados pela falta de liberdade entre os cônjuges para se traduzir em palavras as preferências de cada um relacionadas ao ato sexual. A passagem bíblica acima citada pode ser assustadora para muitos à primeira vista. Porém se analisada dentro do contexto, prosseguindo assim a leitura, é possível ter uma compreensão mais equilibrada.

"Não vos priveis um ao outro, senão por consentimento mútuo por algum tempo, para vos aplicardes ao jejum e à oração; e depois ajuntai-vos outra vez, para que Satanás não vos tente pela vossa incontinência" (1 Co. 7:5).

Na passagem acima, o apóstolo Paulo lembra a importância de se ter uma intimidade para se falar sobre sexo dentro do casamento, para que haja acordo em relação às atitudes de cada cônjuge relacionadas ao ato.

Em entrevista exclusiva ao Guia-me, terapeutas familiares cristãos falaram sobre a importância de se ter um forte grau de intimidade para que as preferências de cada cônjuge em relação ao ato sexual possam chegar a ser realmente verbalizadas e colocadas de forma bem clara no diálogo (a sós) do casal.

Segundo o pastor e psicólogo Silmar Coelho, se não houver clareza no diálogo sobre a sexualidade do casal, um cônjuge pode se enganar e, inocentemente desagradar, incomodar e até mesmo machucar o outro.

"Quando não há diálogo, um pode pensar que dá prazer ao outro quando, na verdade, incomoda, machuca, desagrada e afugenta o prazer. O prazer só é pleno quando agrado aquele a que amo antes que a mim mesmo", lembrou.

Raiz dos problemas

Reconhecido por seus diversos livros que tratam sobre assuntos relacionados ao casamento, Dr. Silmar abordou de forma didática também a raiz da dificuldade de que os cônjuges sentem de se expressar de forma clara a respeito de sua sexualidade e possibilitar assim que o outro possa satisfaze-lo plenamente no âmbito sexual.

"Conceitos herdados da família, religião e cultura levam as pessoas a enxergarem pecado e maldade onde não existe. Por que Deus criaria algo tão bom, se o sexo fosse malévolo. Sexo é como uma faca; pode-se cortar um tomate com ela ou matar alguém. Não é a faca que é má, mau é quem a usa para o mal", explicou.

Concordando com as palavras do Pr. Silmar Coelho, a psicóloga, terapeuta familiar - formada pela Eirene do Brasil - e professora do Curso de Noivos da Igreja Presbiteriana de São Vicente, Leonora Ciribelli propõe uma breve reflexão sobre a formação do tabu e lembra que a falta de seriedade com que se fala sobre sexo, contribui para a distorção do ato.

"Faça um teste: Durante o dia quantas orientações voce recebe  sobre moda, finanças, carros, vendas de eletros em seu computador? Agora pense em quantas informações que vc recebe em relação a esse assunto com seriedade e compromisso? Com certeza, sobre sexo você deve receber informações quase que diariamente, mas são piadas, filminhos, estorinhas sempre com um tom de malicia, dificilmente numa proposta educativa", propôs.

Solução

Quando questionada sobre como criar tal liberdade para que um casal fale abertamente - entre si - sobre a sua sexualidade / preferências, Leonora lembra que sinceridade, honestidade, paciência e humildade são essenciais para o êxito desse processo. Para a psicóloga, colocar a relação sexual como consequência do amor e não como condição para se amar, também é importante para que um cônjuge mais "preso" se sinto seguro e consiga "relaxar".

"Os cônjuges podem desenvolver essa intimidade entre si, primeiro, sendo honestos e admitndo que precisam se 'soltar', ou seja, aprender. Esta conscientização é importante, embora seja mais comum um dos cônjuges ter um perfil mais 'preso' do que o outro. Quando este é o caso, o que tem mais facilidade deve ter paciência, não pressionar o outro, mas dar a ele segurança de que é amado e, por isso ele gosta deste relacionamento íntimo, e não porque tem o relacionamento intimo que ele vai amar", lembrou.

Fazendo uma lista prática para os casais que desejam se libertar do Tabu que impede a fluência do diálogo sobre as preferências de cada um em relação ao ato sexual, o Pr. Silmar pontuou atitudes que também podem ajudar. São elas:

Nunca forçar o outro a fazer o que agride a consciência. Respeitar o pudor do outro. Ser paciente. A intimidade cresce com o tempo. Presentear o outro com livros sobre o assunto Pedir ajuda a um sábio conselheiro. Participar de cursos para casais. Continue lendo as outras reportagens da série, clicando   aqui   e   aqui   .   Por João Neto - www.guiame.com.br  

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