Famílias ribeirinhas recebem assistência médica no Rio Amazonas

Famílias ribeirinhas recebem assistência médica no Rio Amazonas

Atualizado: Quarta-feira, 13 Outubro de 2010 as 2:02

O motor de 90 cavalos de força lança violentamente a lancha sobre um dos afluentes do Rio Amazonas, deixando para trás uma paisagem que atrai os olhos do mundo inteiro: árvores variadas, animais selvagens - jacarés, veados, botos e muitos pássaros e peixes. A viagem com duração de três horas percorrendo a imensidão do rio leva à comunidade Rosa de Sarom, uma vila ribeirinha onde moram cerca de 30 pessoas. É neste lugar que se concentra a equipe de assistência médica da ADRA (Agência Adventista de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais) que em três meses percorreu 10 comunidades, onde vivem cerca de 600 moradores.

O trabalho é feito sob a inspiração da lancha Luzeiro 26, que voltou a singrar os rios da Amazônia em maio. São mais de 80 anos de serviço prestado à população ribeirinha, iniciado pelos missionários americanos Leo e Jessie Halliwel. O princípio é o mesmo: oferecer saúde e educação para estas comunidades isoladas pelo rio, distantes de qualquer tipo de atendimento médico ou orientação educacional.

Além da Luzeiro, existem outros meios de transporte a serviço da assistência. Uma lancha menor, com capacidade para 12 pessoas, enfrenta as águas para levar a enfermeira Emely Karen Ganoza, 22 anos, até as vilas assistidas. O primeiro compromisso é cadastrar as famílias e levantar os dados. Diagnosticadas as necessidades, as pessoas recebem o atendimento e até mesmo remédios.

Antes de vocês iniciarem esse trabalho, não tínhamos a quem recorrer; agora está sendo uma benção receber esse atendimento?, agradece a doméstica Edite da Silva Lopes. Um tempo atrás, ela viveu uma situação traumática. Passou mal, junto com outros moradores da comunidade, em função de problemas intestinais e teve de ser conduzida ao hospital da cidade, em mais de cinco horas de viagem. Seu vizinho também estava no barco, e em situação ainda pior, devido a malária.  Ele não resistiu e morreu, em pleno rio e sem qualquer socorro.

O que move esse projeto é o desejo de ajudar as pessoas sem esperar nada em troca?, declara a enfermeira Karen Ganoza. Esse espírito resume a filosofia da assistência médica que é prestada para as populações ribeirinhas.

Ainda existe muito trabalho a fazer. O escritório da ADRA no estado do Amazonas espera ampliar a equipe médica, e também aumentar a presença da Luzeiro nas comunidades. É preciso, no entanto, garantir os recursos e a participação de voluntários. Para quem deseja ajudar financeiramente, existe uma conta bancária específica para esse projeto: Agência 2368-0, conta corrente 569-0, Banco Bradesco, CNPJ-11.200.726/0001-94, em nome União Noroeste Brasileira da IASD.   

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