Fariseu e cristão

Fariseu e cristão

Atualizado: Terça-feira, 8 Outubro de 2013 as 12:15

opostosMeus irmãos, eu sou fariseu e filho de fariseus. (23.6a)
 
Quando Paulo tomou conhecimento de que uma parte dos presentes ali no Sinédrio eram saduceus e outros, fariseus, ele aproveitou a oportunidade para colocá-los uns contra os outros e anunciar um dos seus temas preferidos: a ressurreição dos mortos graças à ressurreição de Cristo. Em Antenas, ele se aproveitou do altar ao Deus Desconhecido para prender a atenção dos atenienses e falar sobre o “Senhor do céu e da terra” e também da ressurreição (17.22-31).
 
Apesar do curto período de tempo passado no Sinédrio, Paulo usou três vezes a expressão “meus irmãos”, dirigindo-se a Ananias e aos demais participantes (22.1, 5, 7). Eles não eram irmãos em Cristo, mas irmãos em muitas outras coisas: no monoteísmo, no repúdio à materialização do culto (idolatria), no conhecimento das Escrituras do Antigo Testamento, no patrimônio histórico. Lucas faz questão de realçar um detalhe: Paulo falou “bem alto” (ou aos gritos). Isso lembra a última palavra de Cristo na cruz: no exato momento da ruptura da cortina que separava o santuário do Santo dos santos, “Jesus gritou bem alto: Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito” (Lc 23.46).
 
Afinal, Paulo era fariseu ou cristão? Ele era fariseu de formação religiosa e como qualquer um deles, cria na ressurreição, na glorificação do corpo e, consequentemente, na alma imortal. Ele jamais seria do partido oposto, porque “os saduceus não creem que os mortos vão ressuscitar, nem que existem anjos ou espíritos” (23.8). Em Atos, Howard Marshall diz que “na igreja judaica cristã primitiva alguém poderia se tornar cristão e continuar fariseu, mas um saduceu teria de mudar totalmente sua posição religiosa”.
 
 
- Elben César
>> Retirado de Refeições Diárias: no Partir do Pão e na Oração.
 

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