Favoritismo ou unção de Deus?

Favoritismo ou unção de Deus?

Atualizado: Quinta-feira, 27 Junho de 2013 as 12:25

unçãoNo texto bíblico de Números 16: 1-50, lemos sobre a rebelião de Coré contra Moisés, o ungido do Senhor. Os motivos que levaram ao ocorrido foram que Coré e seus seguidores estavam cheios de inveja, presunção, atrevismo e falsa religiosidade, de desrespeito para com a casa de Arão, que fora escolhida por Deus para o sacerdócio, ao passo que a de Coré fora escolhida para o serviço do tabernáculo (uma posição também privilegiada).
 
Este é um dos pecados mais comuns na Igreja do Senhor e se exprime em rivalidade, inveja e arrogância. Iniciou-se com uma acusação séria (verso 3): “vos exaltais”. Logicamente que Arão não se atreveu a tomar a honra do sacerdócio para si mesmo, algo que nem o próprio Cristo fez (Hb 5. 4-7).
 
A hipocrisia de dizer que cada membro do povo é santo se revela claramente, quando se considera a rebelião perpétua contra a mensagem de Deus, cujo começo vem sendo descrito desde Êxodo 5.4-7.
 
O versículo 12 aborda a desobediência de Datã e Abirão ao ungido do Senhor, também o desacatamento a sua ordem, ao chamado do seu líder, Moisés. Os dois se achavam no direito de liderar o povo, uma vez que eram descendentes do filho primogênito de Jacó, em oposição à própria vontade de Deus que já escolhera a Moisés. Ambos se juntaram a Coré, numa insurreição eclesiástica contra Arão e insurreição política contra o governo de Moisés, que era alvo de Datá e Abirão. Os três rebeldes foram hipócritas em proclamar sua adesão ao Senhor.
 
“Nem tão pouco nos trouxeste a uma terra que mana leite e mel”. Aqui se vê a ironia dos rebeldes, a descrença que revelaram desde o princípio: “Pensas que lançarás pó aos olhos”. À ironia, acrescenta-se à insinuação de que Moisés é embusteiro, mentiroso. Os rebeldes tentaram alegar motivos religiosos para os seus mal-entendidos com Moisés e Arão; por isso, o teste seria o oferecer de incenso, um rito exclusivamente sacerdotal.
 
Na Epístola de Judas, verso 11, Coré aparece juntamente com Caim e Balaão como líder de heresias; nomes que simbolizam o assassino de santos, a profecia em proveito próprio e a ambição pela autoridade eclesiástica. Os rebeldes foram destruídos porque se levantaram contra o ungido do Senhor e automaticamente, contra o próprio Deus, pois se opunham à autoridade legitimamente constituída por Deus.
 
Como nos diz o apóstolo Paulo: “Tudo que dantes foi escrito para o nosso ensino foi escrito”, Rm. 15.4. Observando isso, podemos evitar erros desnecessários, que geralmente são cometidos pelos descompromissados com a causa de Deus.
 
O cristianismo moderno vive uma crise de integridade no quesito de liderança do povo de Deus. Há ainda muitos interesses particulares que têm atrapalhado o correto andamento da obra do Senhor.
 
Estamos perguntando: até que ponto um líder é ungido do Senhor? Coré se rebelou contra Moisés e às ordens expressas da Palavra de Deus. Porém, a vida eclesiástica de Moisés era limpa e submissa à plena vontade de Deus; ele não buscava seus interesses particulares, mas o que Deus queria para com o seu povo. Moisés os amava profundamente e não queria que nenhum deles se perdesse. Esta deve ser a nossa posição pastoral ante aos rebeldes que existem e querem se posicionar contra o engajamento denominacional; não saem de vez, mas gostam de perturbar o rebanho. Vez por outra conseguem os seus objetivos, que é sempre a divisão. Devemos agir com a unção de Deus, tal qual Moisés agiu, e ter a certeza de que Deus está do nosso lado; se o líder não tiver esta certeza é bom que não assuma liderança alguma.
 
No incidente do bezerro de ouro, vemos a vida sacrificial do pastor de Deus, Moisés, em prol dos seus liderados (Êx. 32.30-35). Quando disse a Deus: “ou perdoa o povo ou risca meu nome do teu livro”, Deus soube entender a razão do seu íntimo e disse: “Conduze o povo para onde te disse”, Êx 32.34.
Conclusão
 
Pelo relato do capítulo que trata deste assunto, fica evidente que tudo não passou de uma briga pelo poder, porém, a lição que ficou foi de que os verdadeiros ungidos do Senhor não brigam com as suas próprias forças, nem fazem uma política interesseira, mas deixam Deus agir em defesa de suas causas e cargos, que foram dados por Ele mesmo.
 
Nem sempre o povo que defendemos age em nosso favor, como no caso de Moisés; por isso é fundamental a unção de Deus e a convicção da sua ajuda nos momentos de crise interna. Os que buscam seus próprios interesses não sobrevivem à crise, fogem.
 
O incidente da rebelião daqueles líderes foi resolvido por meio sobrenatural, com mútua cooperação: Deus, Moisés (fé, oração, decisão, humildade, tristeza) e logo após, o povo em geral; e de novo, a oração de Moisés demonstrou amor pelos seus liderados. Finalmente o juízo de Deus e a abreviação dele em resposta a este comprometimento de Moisés com o povo que ele conduzia.
 
Creio que o nosso perfil pastoral deve estar baseado nessas virtudes encontradas em Moisés. Só assim triunfará o nosso engajamento denominacional, sem “políticas” internas, sem interesses pessoais ou outros, que levaram a perecer a congregação dos rebeldes liderados por Coré, Datã e Abirão. Que o Senhor nos livre da divisão doutrinária.
 
 
- Pr. Omar Figueiredo
 

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