Fazenda e barraca é preferência dos adventistas no carnaval

Fazenda e barraca é preferência dos adventistas no carnaval

Atualizado: Quinta-feira, 10 Março de 2011 as 3:04

"Eu espero o ano todo por esse momento", diz o Gerson Millan. Há 29 anos, todos os carnavais ele participa de um retiro espiritual com uma igreja adventista. A expectativa é grande, já que o mais importante é descansar, brincar muito e ouvir sobre Deus. Jovens, crianças, vovôs e vovós, o evento é para todos. Acampamento é aventura, lugar de esquecer o conforto e tecnologia da cidade. "Eu quero mesmo é ficar na barraca, curtir a natureza com sol, chuva e o que mais vier", completa Gerson.

A Igreja Adventista mantém a tradição de acampar na época do carnaval há muitos anos. E a proposta nunca falha. O líder de jovens para a região sul-leste do estado, pastor Lelis Silva, visitou dez acampamentos neste fim de semana e constatou: a cada ano cresce o número de acampantes. "Percebi uma juventude comprometida, um clima de motivação", conta ele.

As igrejas da região sul do território pertencente à Associação Sul-rio-grandense acampam em Barranco, e esse ano somaram 1.100 acampantes. Em Capão da Canoa o grupo chegou a 650. O número de pessoas assusta quem está acostumado com as festas deste período do ano, mas não no ambiente cristão. "Nunca havia acampado antes e me surpreendi. É tudo bem organizado, um pessoal descontraído, sem briga ou confusão", conta Ana Maria Haupt.

O acampamento também é um ótima oportunidade para envolver os amigos da Igreja. Laura Gunzoroski decidiu viajar com o grupo de adventistas de Guaíba, mesmo não professando a mesma fé que eles. "Encontro nestes acampamentos um clima muito bom de união, de consagração. Nunca gostei da folia e aqui ouvimos coisas importantes e fazemos amigos independente de qualquer preconceito".

Para Suellen Santos, de Porto Alegre, o que mais a impressiona todos os anos é a união dos jovens. "Isso faz com que a gente se apegue mais a Cristo pela influência dos nossos amigos", explica. E tem gente que não perde por nada essa interação. Sara Rudnicki foi para o Canadá passar alguns meses, mas planejou a viagem para voltar a tempo para o acampamento. Chegou no Brasil na terça-feira, 2 de março, trocou as roupas de frio da mala por roupas de verão, e seguiu a Lomba Grande para fincar a barraca. "Foi tudo muito rápido, e eu ainda estava mudando de apartamento. Deixei meus pais e irmão [que moram em outro estado] em casa e vim para cá", conta ela.

Resultados

O ponto alto da maioria dos acampamento é a Santa Ceia, momento em que todos renovam sua aliança com Deus. Em muitos retiros também acontecem batismos. O acampamento da Igreja Adventista Central de Porto Alegre guardou a surpresa do batismo de duas pessoas para o encerramento. Ambos decidiram pelo batismo após participarem do retiro de verão com o mesmo grupo em 2010.

"É extremamente gratificante ao final de um acampamento ver duas pessoas se batizando como fruto do próprio acampamento. Sem contar as outras cinco que decidiram entregar a sua vida a Cristo em um próximo batismo", afirma o diretor jovem da igreja e coordenador do acampamento, Gabriel Schifino. Ele e a esposa Bruna contam que passam cerca de 4 meses planejando este evento. "A gente dorme pouco e trabalha muito. Se estressa durante meses preparando tudo, mas coisas assim não tem preço, somente no céu poderemos ter uma dimensão do pouco que fizemos aqui", assegura o diretor. O foco da liderança jovem é fortalecer o relacionamento dos participantes com Deus, e o retorno tem sido sempre positivo. "Se com todo esse trabalho conseguirmos fazer uma pessoa por ano se decidir por Cristo já é suficiente" completa Bruna.

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