Feridos em Nome de Deus: Marília de Camargo avalia repercussão evangelística do livro

Feridos em Nome de Deus: Marília de Camargo avalia repercussão evangelística do livro

Atualizado: Quarta-feira, 23 Setembro de 2009 as 12

Por Felipe Pinheiro - www.guiame.com.br

"Faz dez meses que não abro a Bíblia e, quando vejo pastores pregando na televisão, sinto vontade de vomitar."

A afirmação, retirada do livro  "Feridos em Nome de Deus" , ecoa, em mais ou menos proporções, entre cristãos desapontados, para não dizer decepcionados, com seus líderes espirituais. São feridas que fazem questionar até mesmo experiências singulares com Deus e duvidar daquilo que antes era compreendido como o chamado divino para esta vida.   Tidos como oráculos, pastores passam a usufruir de sua influência na vida da "ovelha" e a sujeitá-la segundo sua interpretação bíblica. "Ele fazia uma espécie de mantra em torno do versículo que diz que quem honra o profeta recebe galardão de profeta", conta Adriano, que tem sua história relatada no livro. Advogado fiel ao "conselho" do sacerdote, ele abandonou a profissão e a proximidade familiar em prol do desejo de conquistar o posto pastoral.     

"Eu não fui ferida em nome de Deus. Eu só conheci várias pessoas, tenho vários amigos, que passaram por essa experiência traumática de abuso na mão de lideranças evangélicas. Foi por essas pessoas que eu escrevi o livro", disse ao Guia-me a jornalista Marília de Camargo César.

A coletânea de depoimentos, assinados por nomes fictícios, tem superado as expectativas da autora, que analisa a repercussão pelos comentários no blog  criado após o lançamento da obra em junho deste ano. "Está ajudando essas pessoas que foram abusadas espiritualmente a se reconciliarem com Deus, a fazerem um balanço da sua experiência de fé e a enxergarem aonde também falharam".

  Antes leal ao seu líder espiritual - em decorrência do acolhimento da comunidade evangélica e da superação de traumas por meio de um processo entre jejum, oração e conversa - Marcos passa a se surpreender com a humanidade daquele que era o seu mentor e gestor da escola cristã na qual atuou após deixar o emprego.

"Na empresa onde tinha trabalhado antes, tive muitos chefes carrascos, mas nenhum deles me fez tanto mal como a pessoa que se intitulava meu pastor", destacou em sua declaração.

Na observação de Marília, a publicação, que já está entre os mais vendidos da editora Mundo Cristão com mais de 10 mil exemplares, tem auxiliado as vítimas dos manipuladores da fé a ter uma nova percepção. "Elas só enxergavam a culpa no outro. O livro está ajudando essas pessoas terem um quadro geral dessa situação de abuso em que o abusado também tem essa parcela de responsabilidade", afirma a autora.

Não obstante o potencial restaurador de seu último lançamento, Marília também o avalia como um instrumento que pode despertar a fé dos leitores: "Deus está usando essa obra e eu creio que veio do coração Dele. Vários colegas jornalistas se interessaram pelo tema e a partir do livro iniciaram um diálogo sobre a minha fé. Eu acredito que ele lança semente no coração de pessoas. De muitos ateus, agnósticos. Eu acho que ele está lançando sementes em outros solos. Não só nos solos dos feridos".

"Esse sim vai ser muito evangelístico" Desde que entregou o material de "Feridos" para a editora, a jornalista passou a se dedicar à biografia da senadora Marina Silva (PV - AC), uma das apostas a concorrer à presidência da República em 2010.

Contrária ao aborto e a legalização da maconha, a ex-militante do PT voltou a ser questionada em pontos como a inclusão do criacionismo nas escolas. "Eu acredito em Deus e que Deus criou todas as coisas. Só isso", disse a senadora no Programa Roda Viva da última segunda-feira, 21, na TV Cultura. Para ela, os jovens devem ter liberdade para escolher entre o ensino do evolucionismo e o criacionismo.

Sempre associada a conduta cristã pela grande mídia, Marina Silva, membro da Igreja Assembleia de Deus, terá a oportunidade de ter sua trajetória registrada numa publicação da editora Mundo Cristão, prevista para ser lançada no primeiro semestre do ano que vem.

"Ela só topou [o convite] mesmo por ser uma editora cristã. Ela viu nisso uma chance para fala do Deus que ela acredita", avalia Marília de Camargo que não reconhece a proposta aceita como um mérito próprio. "Eu não tenho esse prestígio todo. Ela nem me conhecia. Já tinha rejeitado várias propostas de pessoas que quiseram escrever um livro sobre ela. A Marina é uma pessoa muito discreta, não gosta de autopromoção", explica.

Há oito meses no processo de apuração, a escritora conta que está no ápice da pesquisa. "Estive 12 dias no Acre com os parentes dela, com os amigos do movimento estudantil. Eu aprendi um pouco do que era ser comunista nos anos 80, que é o histórico dela".

Convicta dos ensinamentos católicos ao longo de 37 anos, a senadora migrou para a religião evangélica após ter, segundo as suas palavras, "uma experiência de fé".

Para Marília, o projeto de escrever uma biografia como essa é um grande desafio.  "Eu realmente peço a Deus sabedoria para me ajudar nesse novo livro porque esse sim eu creio que vai ser muito evangelístico. A vida dela é muito inspiradora", garantiu ao Guia-me a autora que compartilha da mesma fé que a parlamentar.

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