Filme conta a trajetória do avivalista que incendiou o mundo no século 18

Filme conta a trajetória do avivalista que incendiou o mundo no século 18

Atualizado: Quinta-feira, 10 Março de 2011 as 11:10

Começa a ser lançado em DVD nos Estados Unidos o longa Wesley: Um coração transformado pode mudar o mundo (Wesley: A heart transformed can change the world, Estados Unidos/Inglaterra, 117 minutos, 2009), cinebiografia sobre o avivalista britânico que lançou as bases do metodismo e revolucionou espiritualmente o seu país. Personagem dos mais significativos do cristianismo nos últimos séculos, Wesley teve uma trajetória pessoal tão rica que só poderia mesmo ter virado filme. E um filme com vários elementos de ação, como romance, drama, aventura, suspense e, claro, tocantes momentos que dão bons ápices de emoção.

Produzido de forma independente pela Foundery Pictures, em parceria com o Christian History Institute e a Comenius Foundation, o filme tem em John Wesley (interpretado pelo expressivo Burgess Jenkins, de Duelo de titãs e da série One tree hill) seu protagonista, mas também conta a trajetória de Charles (Keith Harris, dos seriados Beverly Hills: 90210 e Dawson´s Creek), seu irmão e um dos mais prolíficos autores de hinos religiosos de todos os tempos, com mais de 6 mil composições.

A obra é focada na jornada espiritual da dupla e em sua vida piedosa, ambientada no período conturbado que atravessava a Inglaterra no período em que viveram, marcado pelo início da Revolução Industrial e pela extrema pobreza de grande parte da população.

Retratar toda essa complexidade e mostrar a importância do líder protestante, mas sem idealizá-lo, talvez seja o grande mérito do longa. “A dificuldade maior foi sistematizar tudo o que aconteceu e juntar os sempre presentes conflitos e ação com a transformação pela qual passa um homem que poderia ser tudo, menos estereotipado”, diz o reverendo John Jackman, diretor do filme.

TOM INTIMISTA

Wesleyfaturou prêmios de efeitos especiais, fotografia e iluminação em prestigiados festivais. Tratando-se de fotografia, com muita justiça, já que a reconstituição de ambientes é realmente impressionante. Os cenários são deslumbrantes – alguns em locações originais do século 18 – e os figurinos, autênticos. Assim, Jackman consegue êxito ao rodar uma película épica, temperada com situações dramáticas, como o tumultuado romance com Sophy Hopkey (Carrie Anne Hunt), uma linda história de amor que termina de forma trágica. Em parte, esse tom intimista se deve muito ao fato de o filme ter sido baseado nos célebres diários do pregador, um clássico da espiritualidade moderna.

Pena que ainda não há previsão de lançamento da obra no Brasil. Fica a torcida para que ela chegue logo e venha acompanhado da fórmula adotada no exterior: lá, em vez de se proibir a exibição em lugares públicos, as igrejas têm recebido incentivos e autorizações especiais para passar o filme abertamente, como estratégia de evangelização. Se fosse vivo, John Wesley, que notabilizou-se pelos arrebatadores sermões na entrada de minas de carvão, certamente aplaudiria a iniciativa.  

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