"África precisa de Deus", diz famoso jornalista ateu

"África precisa de Deus", diz famoso jornalista ateu

Atualizado: Segunda-feira, 3 Agosto de 2009 as 12

Em depoimento que causou surpresa, o jornalista Matthew Parris, ex-político e ateu convicto, disse que os problemas da África não podem ser resolvidos só com ajuda financeira e que os africanos precisam conhecer a Deus. Em sua coluna para o jornal Britânico The Times, o ex-membro conservador do parlamento britânico afirmou que a religião proporciona mudança aos corações e às mentes das pessoas - algo que a ajuda financeira não pode fazer.

No texto, ele revela que apesar de ser um ateu convicto, tornou-se testemunha da enorme contribuição que o evangelismo cristão faz na África, bastante distinta do trabalho das ONGs seculares, projetos governamentais e esforços de ajuda internacional. Parris, que nasceu em Joanesburgo, África do Sul, mas agora vive na Inglaterra, explica que "na África, só o Cristianismo muda o coração das pessoas. Ele produz uma transformação espiritual. O renascimento é real. A mudança é boa".

O jornalista descobriu os efeitos positivos do Cristianismo na África após uma viagem ao Malawi, antes do Natal de 2008. Lá, ele reuniu-se com uma pequena instituição de caridade britânica (a Pump Aid) que trabalha para instalar bombas em poços nas aldeias para manter a água limpa.

Embora a Pump Aid seja secular, ele percebeu que os membros da equipe mais impressionantes eram, em sua vida particular, cristãos praticantes. E ele se lembra que, ainda que nenhum dos membros da instituição de caridade tenha falado sobre religião, viu um deles estudando um livro de devocionais no carro e outro saindo para ir à igreja num domingo ao amanhecer.

Encontrar os cristãos que trabalhavam para a Pump Aid também o fez lembrar-se das suas memórias de missionários cristãos que conheceu quando era ainda um menino crescendo na África. Ele recorda como os africanos convertidos ao Cristianismo que ele conheceu "eram sempre diferentes". A sua nova religião não os confinava, mas parecia libertá-los e relaxá-los, diz Parris. "Havia uma vivacidade, uma curiosidade, uma dedicação para com o mundo - uma retidão nas suas relações com os outros - que parecia estar em falta na vida tradicional africana", recorda.

O Cristianismo, acrescenta, também ajuda a libertar os africanos da mentalidade comunal e supersticiosa que reprime a individualidade. Parris critica a "mentalidade rural tradicional" por alimentar "manda-chuvas e gangsters políticos" em cidades africanas que ensinam "um respeito exagerado" por um "líder presunçoso" que não deixa espaço para a oposição.

Ele conclui afirmando que para a África poder ser competitiva com outros líderes mundiais no século XXI, não deve pensar apenas que os bens materiais e o conhecimento são tudo o quanto precisa para o desenvolvimento e mudança.

"Todo um sistema de crenças tem primeiro de ser suplantado", considera o jornalista ateu. Ele adverte que retirar o evangelismo cristão da "equação africana" poderá "deixar o continente à mercê de uma fusão maligna entre a Nike, o feiticeiro e o celular". (CM)

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