Funcionário do deputado José Bittencourt "engana" fieis

Funcionário do deputado José Bittencourt "engana" fieis

Atualizado: Quinta-feira, 24 Junho de 2010 as 8:57

Apontado como possível funcionário fantasma do gabinete do deputado estadual José Bittencourt (PDT-Santo André), Ailton Gonçalves de Oliveira é persona non grata na ICPB (Igreja de Cristo Pentecostal no Brasil). Expulso da instituição em 2006 (quando a presidia), ele ainda se considera pastor de filial em Mauá.

A advogada da ICPB, Márcia Cristina Rodrigues, lembra que Oliveira foi exonerado por insubordinação e má administração. "Ele chegou a agredir fisicamente um superintendente de 73 anos", revela. "É uma pessoa estourada."

Na Justiça há quatro ações envolvendo a igreja e o pastor. As principais delas são exatamente sobre a exoneração e suas consequências. "Ele não aceitou o desligamento e depois depredou a igreja. Tivemos de entrar com pedido de reintegração de posse porque ele não queria sair", recorda Márcia, sobre caso registrado na 3ª Vara Cível de Mauá.

A advogada que defendeu Oliveira na ocasião é Fabiana Fava Fonseca Simões, que trabalha no escritório político de José Bittencourt em São Caetano - o local também funciona como advocacia.

A representante legal da ICPB diz que após o episódio Oliveira alugou outro prédio em Mauá para pregar, mas sem desvincular o seu nome ao da igreja. "Ele colocou uma plaquinha da ICPB em outro local, que é clandestino. Não tem a nossa autorização. Ele engana a si mesmo e aos fiéis."

A ICPB 'oficial' de Mauá fica na Rua Amador Bueno, 435, na Vila Bocaina. Já o edifício sem autorização do grupo religioso fica na Rua Dr. João Aranha Neto, 1148, na mesma vila. De acordo com Márcia, o pastor inclusive abriu uma "filial" de sua igreja "clandestina" em Rio Grande da Serra, novamente carregando o nome da ICPB.

Oliveira acionou a igreja judicialmente para reclamar dívidas trabalhistas. "Na audiência ele disse que trabalhava 24 horas por dia na igreja e apresentou o registro em carteira de seu emprego na Assembleia Legislativa. Mas se ele trabalhava o dia todo na ICPB, quando ele trabalhava para o deputado?", indaga a advogada. O juiz exarou sentença favorável à igreja.

Ausente - O caso envolvendo funcionário fantasma no gabinete de José Bittencourt na Assembleia Legisltaiva foi denunciado domingo pelo Diário. Indícios apurados pela reportagem apontam que Ailton Gonçalves de Oliveira não comparece ao trabalho com frequência. "Ele vem aqui esporadicamente", disse uma assessora do gabinete. Oliveira foi alocado como secretário parlamentar I, cujos vencimentos partem de R$ 4.500 (para servidores sem curso superior).

O pastor foi procurado novamente pelo Diário ontem, mas outra vez não retornou.

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