Garotinho diz que Dilma o procurou para contornar rejeição religiosa

Garotinho diz que Dilma o procurou para contornar rejeição religiosa

Atualizado: Sexta-feira, 8 Outubro de 2010 as 9:07

O ex-governador fluminense Anthony Garotinho (PR) disse que foi procurado pela candidata do PT à Presidência da Répública, Dilma Rousseff, para ajudar a contornar a rejeição enfrentada pela ex-ministra entre eleitores evangélicos. Apresentador de uma rádio religiosa e deputado federal mais votado do Rio, ele afirmou que deve apresentar a integrantes da campanha petista "os pontos centrais que levaram ao seu desgaste nessa faixa do eleitorado".

Garotinho disse ter conversado sobre o assunto com Dilma ontem e anteontem, e que recebeu telefonemas de seu candidato a vice, Michel Temer (PMDB), e do coordenador da campanha, Fernando Pimentel. "Eu disse a eles (Temer e Pimentel) que o foco da campanha está errado e que estão se preocupando demais com a questão do aborto - que é importante, mas não é central para a perda de votos dela entre os cristãos", afirmou. "O mais grave não é o aborto, mas prefiro não comentar nada além disso."

Além da polêmica em relação a propostas de legalização do aborto, líderes evangélicos vêm reforçando a resistência ao Projeto de Lei 122/06, que transformaria em crime a homofobia. Pastores de todo o País fizeram manifestações contra a proposta, acreditando que a medida seria uma barreira à liberdade de culto, pois os proibiria "de pregar aquilo que está na Bíblia".

A assessoria de Temer confirmou que o candidato a vice telefonou para Garotinho, mas não especificou o teor da conversa. Em 2006, o apoio do ex-governador (então no PMDB) a Geraldo Alckmin (PSDB) no segundo turno das eleições presidenciais provocou mal-estar na chapa tucana. Após a derrota nas urnas, aliados avaliaram que a imagem de Alckmin ao lado de Garotinho havia desgastado a candidatura do PSDB.

Dilma tem se aproximado de políticos populares entre os evangélicos para tentar combater a imagem de que seria favorável ao aborto e à criminalização da homofobia. No Rio, após o evento que abriu a campanha do segundo turno, ela se reuniu com o pastor Marcos Pereira (da Assembleia de Deus dos Últimos Dias) e com o cantor Waguinho (missionário da igreja e candidato ao Senado pelo PT do B, com 1,3 milhão de votos).

"A igreja toda votou na Marina Silva, mas depois que estive com Dilma, ficou claro que ela é uma mulher séria. Ela esclareceu que não é a favor do aborto e que não há como obrigar um pastor a casar duas pessoas do mesmo sexo", disse o pastor. "Ela pediu que nós passássemos essa realidade aos fiéis. Pedi que ela fizesse um pronunciamento público sobre esses assuntos e ela concordou."

Waguinho afirmou que não se comprometeu a trabalhar pela campanha de Dilma, pois ainda deve consultar líderes comunitários e evangélicos antes de anunciar um apoio formal. O candidato disse ter sido procurado por representantes da campanha de José Serra e que pediu que fosse marcado um encontro com o candidato do PSDB. A reunião com Waguinho e o pastor Marcos teve participação de Lindberg Farias (PT) e do bispo Marcelo Crivella (PR), senadores eleitos pelo Rio com o apoio de Dilma e do presidente Lula. Depois da carreata de quarta-feira na Baixada Fluminense, a petista voou de helicóptero com os dois aliados até o Aeroporto Santos Dumont, onde aconteceu o encontro.

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