Gary Haynes: "Não podemos vender um evangelho barato"

Gary Haynes: "Não podemos vender um evangelho barato"

Atualizado: Segunda-feira, 11 Outubro de 2010 as 2:59

"Sabendo de mais e mais pessoas que estão conhecendo a Cristo, fico muito alegre, mas tenho uma preocupação: que as pessoas não fiquem apenas no 'oba-oba' ou sejam só levados pela emoção". Foi assim que o pastor, escritor, fundador da Editora Atos e do Seminário Teológico Cristo para as Nações, Gary Haynes começou a responder à entrevista exclusiva ao Guia-me.

Temas como um possível "resfriamento do evangelho" no Brasil, evangelismo segmentado e a repercursão de seu trabalho foram abordados nesta entrevista. Confira na íntegra:

Como você vê o atual crescimento do número de evangélicos no Brasil?

Com certeza, sabendo de mais e mais pessoas que estão conhecendo a Cristo, fico muito alegre, mas tenho uma preocupação: que as pessoas não fiquem apenas no 'oba-oba' ou sejam só levados pela emoção. O próprio Jesus, quando ministrava na Terra, fazia milagres, tinha uma Palavra forte e juntava milhares de pessoas. Mas Ele mesmo teve o cuidado de, em alguns momentos, cobrar um compromisso das pessoas. Em alguns momentos Ele confrontava, mesmo e falava: 'Olha, é assim que tem que ser, se você quiser ser meu seguidor. Esse é preço que tem que ser pago'. Então eu creio que é muito bacana a gente ver uma abertura no povo evangélico, mas nós, que ministramos a Palavra, temos que ter a sabedoria de de não 'vender um evangelho barato'. Precisamos ministrar um evangelho de verdade e dizendo as pessoas que seguir a Cristo tem um custo, mas compensa pagar esse preço.

Você acredita que existe um perigo do evangelho no Brasil "esfriar", assim como aconteceu em alguns países da Europa?

Na verdade, esse 'resfriamento do evangelho' em lugares, como a Europa foi um fenômeno que aconteceu ao longo das gerações. O evangelho impactou fortemente a Alemanha no início da Reforma Protestante, com o Martinho Lutero. Ele promoveu uma reforma, um grande avivamento, um grande mover de Deus que impactou muito a Alemanha. Já na Inglaterra começou muito antes. Ela foi um país conquistado para o evangelho séculos antes e teve seguidas reformas e renovações em sua Igreja. Infelizmente, com o passar dos séculos e das gerações, começou a haver um resfriamento, até mesmo porque começou a surgir uma prosperidade muito grande nos lugares. Aos poucos as pessoas foram se afastando de Deus e hoje esses países se classificam como partes do mundo que estão muito afastadas de Deus.

O caso do Brasil é bem diferente. Há poucos anos, de fato, o Brasil está tendo uma ascenção em relação crescimento do evangelho, se formos pensar bem, o evangelho está impactando o Brasil de forma mais significativa há 15, 20 anos. A preocupação agora não é bem a mesma que há em relação a Europa, mas sim que o nosso povo aqui possa ter raízes firmadas na Palavra, possa conhecer mesmo a Palavra de Deus e não ficar apenas na emoção, no oba-oba. O nosso foco agora tem que ser: levar as pessoas a conhecerem de verdade o evangelho, os princípios da Palavra de Deus e ensina-los como praticar isso no seu dia-a-dia, porque aí sim, vamos trazer uma mudança verdadeira à nossa nação.

Qual a sua opinião em relação a esse "evangelho segmentado" que está surgindo atualmente, ou seja, igrejas para rockeiros, para atletas, até mesmo para homossexuais, etc.?

Bom... se for uma igreja para gays, que possa traze-los para fora da vida de homossexualismo, acho bom! Mas se for uma igreja que aceita a prática do homossexualismo e diz que isso é bíblico, está errado. Eu não odeio os gays. Eles decidem o estilo de vida que querem levar, mas precisam saber que não podem misturar homossexualismo com cristianismo. Mas quanto à questão geral, de adaptar o formato da ministração da Palavra às pessoas, eu acho interessante. Enquanto você não quebrar princípios, é bacana ter um trabalho assim como o do Apóstolo Rina [Bola de Neve Church], por exemplo. O púlpito lá é uma prancha de surf. Eu já preguei na igreja dele, que é um homem de Deus, um homem de oração, de integridade e está ganhando muitas almas jovens para Jesus. Ótimo! Tem que fazer isso mesmo. Na verdade, você não pode sustentar a ideia de que um terno e uma gravata são necessários para que você seja um servo de Deus. Você não pode sustentar um monte das ideias que tentam enquadrar para a gente. Na verdade, o cristianismo é uma mensagem. A forma como você vai ministrá-la é 'livre' - desde que você não quebre os princípios, como eu disse. Nós temos que trabalhar de forma criativa para ministrar a Palavra. Paulo falou que ele se faz como todos para ganha-los. É um conceito extremamente válido.

Em sua opinião, o que é necessário para que um ministro do evangelho tenha sucesso em seu ministério?

Essa é uma pergunta que requer uma resposta ampla, mas eu vou tentar dar uma versão mais sucinta. Quando o apóstolo Paulo fala sobre critérios para alguém ser um ancião ou diácono, ele fala sobre comportamento, caráter pessoal, vida com Deus, vida familiar... então os critérios seguem essa linha. Então, se quando o homem fala, sabe que tem uma família abençoada e vive aquele evangelho na prática, esse já é um sinal de que ele é um homem de Deus.

Quando você percebe que um assunto específico pode se tornar tema de um de seus livros, abençoando a vida de outras pessoas?

Essa é uma boa pergunta. Eu prego e ensino muito em eventos e aos meus alunos do Seminário Teológico. Essa é uma forma de sentir a receptividade da parte das pessoas em relação aquela Palavra. Se eu sentir que é algo que realmente está falando ao coração delas, muitas vezes isso já me faz entender que aquele assunto mereceria um livro. Agora, a forma de se escrever um livro é bem diferente de como se prega e se ensina. Infelizmente, muitas pessoas tentam escrever um livro da mesma forma que pregam ou ensinam e acaba não dando certo, porque são formas de comunicação bem diferentes entre si.

Todo autor gosta de ser lido e reconhecido. Qual é o seu sentimento, quando as pessoas te procuram e contam os testemunhos de bênçãos que a leitura dos seus livros lhes proporcionaram?

Me sinto profundamente honrado quando me lembro que mais de 1 milhão de pessoas já leram os meus livros. Considero esse um número significativo. Como o meu trabalho de editor, ou seja, os livros que eu edito e crio para lançar pela Editora Atos, acredito que já tivemos um mínimo de 25 milhões de pessoas que já leram essas obras. Isso é muito gratificante e é uma honra saber que estamos abençoando tantas vidas nessa nação através do nosso trabalho.

Por João Neto - www.guiame.com.br

Colaboração: Nany de Castro

Foto: Getúlio Camargo

"Sabendo de mais e mais pessoas que estão conhecendo a Cristo, fico muito alegre, mas tenho uma preocupação: que as pessoas não fiquem apenas no 'oba-oba' ou sejam só levados pela emoção". Foi assim que o pastor, escritor, fundador da Editora Atos e do Seminário Teológico Cristo para as Nações, Gary Haynes começou a responder à entrevista exclusiva ao Guia-me.

Temas como um possível "resfriamento do evangelho" no Brasil, evangelismo segmentado e a repercursão de seu trabalho foram abordados nesta entrevista. Confira na íntegra:

Como você vê o atual crescimento do número de evangélicos no Brasil?

Com certeza, sabendo de mais e mais pessoas que estão conhecendo a Cristo, fico muito alegre, mas tenho uma preocupação: que as pessoas não fiquem apenas no 'oba-oba' ou sejam só levados pela emoção. O próprio Jesus, quando ministrava na Terra, fazia milagres, tinha uma Palavra forte e juntava milhares de pessoas. Mas Ele mesmo teve o cuidado de, em alguns momentos, cobrar um compromisso das pessoas. Em alguns momentos Ele confrontava, mesmo e falava: 'Olha, é assim que tem que ser, se você quiser ser meu seguidor. Esse é preço que tem que ser pago'. Então eu creio que é muito bacana a gente ver uma abertura no povo evangélico, mas nós, que ministramos a Palavra, temos que ter a sabedoria de de não 'vender um evangelho barato'. Precisamos ministrar um evangelho de verdade e dizendo as pessoas que seguir a Cristo tem um custo, mas compensa pagar esse preço.

Você acredita que existe um perigo do evangelho no Brasil "esfriar", assim como aconteceu em alguns países da Europa?

Na verdade, esse 'resfriamento do evangelho' em lugares, como a Europa foi um fenômeno que aconteceu ao longo das gerações. O evangelho impactou fortemente a Alemanha no início da Reforma Protestante, com o Martinho Lutero. Ele promoveu uma reforma, um grande avivamento, um grande mover de Deus que impactou muito a Alemanha. Já na Inglaterra começou muito antes. Ela foi um país conquistado para o evangelho séculos antes e teve seguidas reformas e renovações em sua Igreja. Infelizmente, com o passar dos séculos e das gerações, começou a haver um resfriamento, até mesmo porque começou a surgir uma prosperidade muito grande nos lugares. Aos poucos as pessoas foram se afastando de Deus e hoje esses países se classificam como partes do mundo que estão muito afastadas de Deus.

O caso do Brasil é bem diferente. Há poucos anos, de fato, o Brasil está tendo uma ascenção em relação crescimento do evangelho, se formos pensar bem, o evangelho está impactando o Brasil de forma mais significativa há 15, 20 anos. A preocupação agora não é bem a mesma que há em relação a Europa, mas sim que o nosso povo aqui possa ter raízes firmadas na Palavra, possa conhecer mesmo a Palavra de Deus e não ficar apenas na emoção, no oba-oba. O nosso foco agora tem que ser: levar as pessoas a conhecerem de verdade o evangelho, os princípios da Palavra de Deus e ensina-los como praticar isso no seu dia-a-dia, porque aí sim, vamos trazer uma mudança verdadeira à nossa nação.

Qual a sua opinião em relação a esse "evangelho segmentado" que está surgindo atualmente, ou seja, igrejas para rockeiros, para atletas, até mesmo para homossexuais, etc.?

Bom... se for uma igreja para gays, que possa traze-los para fora da vida de homossexualismo, acho bom! Mas se for uma igreja que aceita a prática do homossexualismo e diz que isso é bíblico, está errado. Eu não odeio os gays. Eles decidem o estilo de vida que querem levar, mas precisam saber que não podem misturar homossexualismo com cristianismo. Mas quanto à questão geral, de adaptar o formato da ministração da Palavra às pessoas, eu acho interessante. Enquanto você não quebrar princípios, é bacana ter um trabalho assim como o do Apóstolo Rina [Bola de Neve Church], por exemplo. O púlpito lá é uma prancha de surf. Eu já preguei na igreja dele, que é um homem de Deus, um homem de oração, de integridade e está ganhando muitas almas jovens para Jesus. Ótimo! Tem que fazer isso mesmo. Na verdade, você não pode sustentar a ideia de que um terno e uma gravata são necessários para que você seja um servo de Deus. Você não pode sustentar um monte das ideias que tentam enquadrar para a gente. Na verdade, o cristianismo é uma mensagem. A forma como você vai ministrá-la é 'livre' - desde que você não quebre os princípios, como eu disse. Nós temos que trabalhar de forma criativa para ministrar a Palavra. Paulo falou que ele se faz como todos para ganha-los. É um conceito extremamente válido.

Em sua opinião, o que é necessário para que um ministro do evangelho tenha sucesso em seu ministério?

Essa é uma pergunta que requer uma resposta ampla, mas eu vou tentar dar uma versão mais sucinta. Quando o apóstolo Paulo fala sobre critérios para alguém ser um ancião ou diácono, ele fala sobre comportamento, caráter pessoal, vida com Deus, vida familiar... então os critérios seguem essa linha. Então, se quando o homem fala, sabe que tem uma família abençoada e vive aquele evangelho na prática, esse já é um sinal de que ele é um homem de Deus.

Quando você percebe que um assunto específico pode se tornar tema de um de seus livros, abençoando a vida de outras pessoas?

Essa é uma boa pergunta. Eu prego e ensino muito em eventos e aos meus alunos do Seminário Teológico. Essa é uma forma de sentir a receptividade da parte das pessoas em relação aquela Palavra. Se eu sentir que é algo que realmente está falando ao coração delas, muitas vezes isso já me faz entender que aquele assunto mereceria um livro. Agora, a forma de se escrever um livro é bem diferente de como se prega e se ensina. Infelizmente, muitas pessoas tentam escrever um livro da mesma forma que pregam ou ensinam e acaba não dando certo, porque são formas de comunicação bem diferentes entre si.

Todo autor gosta de ser lido e reconhecido. Qual é o seu sentimento, quando as pessoas te procuram e contam os testemunhos de bênçãos que a leitura dos seus livros lhes proporcionaram?

Me sinto profundamente honrado quando me lembro que mais de 1 milhão de pessoas já leram os meus livros. Considero esse um número significativo. Como o meu trabalho de editor, ou seja, os livros que eu edito e crio para lançar pela Editora Atos, acredito que já tivemos um mínimo de 25 milhões de pessoas que já leram essas obras. Isso é muito gratificante e é uma honra saber que estamos abençoando tantas vidas nessa nação através do nosso trabalho.

Por João Neto - www.guiame.com.br

Colaboração: Nany de Castro

Foto: Getúlio Camargo

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