Gilberto Dimenstein aborda conversão de DJs ao Evangelho

Gilberto Dimenstein aborda conversão de DJs ao Evangelho

Atualizado: Quinta-feira, 20 Maio de 2010 as 3:10

O rapper evangélico DJ Maurício Alexandre Oliveira foi assunto da coluna de Gilberto Dimenstein nesta quarta-feira, 19, no jornal Folha de S. Paulo.

Com o título DJ de Deus, a coluna ressalta a adoção de estilos como o rap pelas igrejas evangélicas para atrair fieis.

"O novo mercado surgiu porque alguns pastores perceberam que, para atrair os jovens da periferia, precisavam inovar o repertório, adaptando letras religiosas a estilos musicais como o funk, o rap e a música eletrônica, além de deixar a festa correr até de manhã",observa Dimenstein.

Confira na íntegra:

O DJ de Deus

RAPPER e evangélico, o DJ Maurício Alexandre Oliveira, de 22 anos, está descobrindo um inusitado mercado de trabalho nas madrugadas paulistanas: as "baladas de Deus".

As festas acontecem não só nos templos mas também em casas noturnas, que, para não ofenderem a clientela, evitam servir bebidas alcoólicas. "Cada vez mais, recebo pedidos para tocar nessas baladas religiosas."

A conversão religiosa do ex-católico Maurício, hoje mais conhecido como DJ Max, ocorreu exatamente porque encontrou um templo evangélico aberto ao rap e a baladas para jovens. "Vi que eu podia combinar uma crença religiosa com meu prazer musical."

A combinação, porém, demorou a entrar na sua carreira profissional.

Desde os 11 anos de idade, ele escrevia letras de rap, cantadas por outros grupos. Atualmente, sua namorada é a cantora exclusiva de suas criações. Mas sua paixão mesmo era ser DJ. "Eu ficava grudado na MTV, tentando copiar as coisas a que eu assistia."

Suas letras refletiam a falta de perspectiva e a violência na cidade. "Eu imaginava que as músicas podiam dar um ânimo ao pessoal."

Impressionados com a determinação do menino, os pais lhe compraram um equipamento usado. "Comecei a bater à porta de DJs mais velhos para tomar lições."

Passava horas trancado em seu quarto ensaiando o que aprendia com seus professores informais ou copiando aquilo a que assistia na televisão.

Mais velho, ganhou a confiança de rappers e passou a ser chamado para atuar como DJ nas festas. Já tinha assumido toda a indumentária tribal e o linguajar dos "manos".

Com as economias, montou, na casa de sua mãe, um pequeno estúdio profissional e virou produtor. As festas que embalava no templo eram apenas diversão.

O novo mercado surgiu porque alguns pastores perceberam que, para atrair os jovens da periferia, precisavam inovar o repertório, adaptando letras religiosas a estilos musicais como o funk, o rap e a música eletrônica, além de deixar a festa correr até de manhã.

Um deles é Anderson Dias, agora só conhecido como DJ Pastor, cujo templo fica no Itaim Paulista (zona leste). "Quando eu era adolescente, tinha deixado a igreja porque gostava muito de ir às baladas. Mas voltei, quase numa reconversão, e implantei as baladas."

DJ Pastor foi chamado para animar outros templos e, recentemente, passou a receber pedidos para atuar nas casas noturnas regulares, sempre com letras gospel. DJ Max passou a acompanhá-lo em várias apresentações.

O mercado gospel está longe de sustentar DJ Max. Além das festas normais, ele virou professor de DJ para crianças da periferia. Mas, pelo menos quando está nas baladas com fundo religioso, tem a sensação de que seu toca-discos é uma espécie de alto-falante divino.

Postado por: Felipe Pinheiro

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