Governador do Acre conhece obras sociais da Assembleia de Deus

Governador do Acre conhece obras sociais da Assembleia de Deus

Atualizado: Terça-feira, 20 Abril de 2010 as 12

No title Uma área de terra localizada na estrada de Porto Acre adquirida com a contribuição dos membros da igreja Assembleia de Deus seria transformada em um espaço de lazer para os fieis. Seria se não tivesse surgido a necessidade urgente de abrigar um homem que pedia ajuda para se libertar da dependência química. Ao oferecer acolhimento, o grupo não pode mais recuar. Na manhã desta segunda-feira, o governador Binho Marques, a convite do deputado estadual Helder Paiva e do presidente da Assembleia de Deus, Luiz Gonzaga de Lima, visitou a unidade terapêutica Casa Ebenezer. A intenção era conhecer melhor a experiência que oferece tratamento a pessoas usuárias de drogas para contribuir com a consolidação de uma rede de proteção social envolvendo poder público, igrejas, organizações não governamentais, entre outras instituições.

"Vir aqui é um aprendizado. O governo precisa aprender com os projetos que estão em andamento, que são caros e demandam uma grande dose de amor. Por isso é tão importante essa parceria para que possamos ver de perto, ouvir as pessoas envolvidas e reproduzir situações como essas", diz. Sem fins lucrativos, a Casa Ebenezer recebe hoje em sistema de internato, 19 pessoas do sexo masculino encaminhadas pela Justiça, empresas públicas e pelos familiares dos dependentes. O local, cuja estrutura é considerada deficiente, deverá passar por uma ampliação. Emendas do deputado Helder Paiva, somadas à contribuição dos membros da igreja Assembleia de Deus, destinam recursos para o centro terapêutico que planeja a construção de um pavilhão onde será instalado um dormitório ampliando de 26 para 50 o número de vagas, hoje insuficientes para atender à demanda existente.

Mas o processo não é nada fácil. Nem para quem abriga, menos ainda para quem chega em busca de tratamento, que dura em média seis meses e, tem como essência, o trabalho de manutenção da chácara, implantação de culturas e criação de pequenos animais que contribuem para o reforço na alimentação. A construção do processo de autoemancipação é feita com palestras educativas tendo como base a educação cristã.  "O primeiro passo para chegar até aqui é a pessoa querer. Ela tem que vir por vontade própria e ainda não temos condições de oferecer toda a infraestrutura necessária, tanto para quem está em tratamento como para sua família. Por isso é tão importante as parcerias", reconhece o presidente da Assembleia de Deus, pastor Luiz Gonzaga.

Uma nova vida - João Paulo, 20 anos, chegou à casa depois de percorrer desde os 13 anos as instituições de recuperação de adolescentes infratores. De usuário de entorpecentes, passou a vender o produto para manter o vício e efetuar pequenos furtos até começar a perder a família e um grande amor que o motivou a buscar ajuda. Há dois meses está na unidade e acredita na própria superação para vencer a dependência. João Paulo que abandonou cedo a sala de aula sugeriu ao governador Binho Marques uma parceria para que jovens em tratamento possam concluir os estudos. "Isso é importante. Saber das dificuldades por quem as vivencia. Essas visitas são para conhecer melhor estas iniciativas, para que a gente possa saber como ajudar, promover cooperação, criar um ponto de equilíbrio para apoio permanente, mesmo que pequeno e estruturar a rede social para acompanhamento da família". Em 2009, a Casa Ebenezer recebeu recursos do ProAcre no valor de R$ 40 mil para aquisição de um veículo.

A casa das meninas

A aproximação entre o Governo do Estado e as instituições civis de amparo social, como as da igreja Assembleia de Deus, se dará por meio da Secretaria para o Desenvolvimento da Segurança Social (Sedess) responsável por observar as necessidades, tanto da Casa Terapêutica Ebenezer como da Associação Cristã Alfa (Acalfa), instalada no bairro Calafate. Lá, meninas de 7 a 17 anos, residentes em sete bairros do entorno participam, no contra-turno escolar, de atividades lúdicas, do aprendizado de trabalhos manuais e de palestras de orientações sobre temas diversos como saúde, disciplina, organização doméstica, educação. São crianças originárias de famílias de baixa renda que encontram na casa amparo social. Foram identificadas por meio de pesquisa realizada pela igreja na comunidade.

Hoje, a casa que funciona desde 2004 atende 72 meninas três vezes por semana como as gêmeas Maiara e Naiara, 10 anos. Elas aprendem técnicas de bordado e se encontram com colegas de escola. "Aqui é bom porque a gente não fica na rua e aprende a fazer artesanato, bordado, pintura", conta Maiara. O governador Binho Marques admite que algumas iniciativas de parceria já podem ser desenhadas como a instalação de laboratórios de informática. O deputado Helder Paiva diz que o trabalho não acontece por acaso. "O que queremos é uma igreja participando, dentro da comunidade, dando a sua contribuição". Alana Araújo, 17 anos, é a prova de que a ação dá retorno social. Uma das crianças há mais tempo na casa, atualmente tem a função de repassar o que aprendeu às mais novas. A "professora" ensina e aprende e ajuda a construir o conceito de acolhimento que a envolveu desde o início. "Quando uma pessoa está fragilizada, precisa ser atendida por uma rede social. É o que pretendemos construir", diz Binho Marques.

Por Golby Pullig     

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