Grupo pretente doar mil exemplares para cada Alcorão queimado nos EUA

Grupo pretente doar mil exemplares para cada Alcorão queimado nos EUA

Atualizado: Sexta-feira, 10 Setembro de 2010 as 4:05

Um grupo muçulmano anunciou nesta quinta-feira (9) que distribuirá mil exemplares do Alcorão para cada livro que for queimado por uma igreja evangélica dos Estados Unidos no dia 11 de setembro.

Laurie Jaghlit, da ONG Conselho de Relações Islâmico-Americanas (Cair, na sigla em inglês), disse em uma entrevista coletiva em Washington ter preparados 200 mil livros para o chamado "Dia da Queima do Alcorão". Segundo a entidade, isso equivale a mil vezes o número de livros que a igreja Dove World Outreach Center, da Flórida, pretende promover no nono aniversário dos atentados contra as Torres Gêmeas, em Nova York.

Outro grupo, a comunidade Ahmadi Muçulmana, também anunciou nesta quinta-feira que vai doar nos EUA a quantidade equivalente de cópias do Alcorão que a igreja evangélica afirma que vai queimar na Flórida.

A comunidade Ahmadi, uma minoria no Paquistão, afirmou que vai doar exemplares do livro sagrado dos muçulmanos a livrarias e universidades, além de organizar eventos em homenagem aos textos sagrados de todas as religiões.

Nasim Rehmatullah, vice-presidente da comunidade Ahmadi Muçulmana dos Estados Unidos, condenou o projeto da Dove World Outreach Center.

O religioso destacou, no entanto, que os muçulmanos devem reagir de maneira responsável se o plano for concretizado.

- Aqui, nos Estados Unidos, não queimamos livros. Nós lemos livremente e debatemos sobre seu conteúdo. Como muçulmanos defensores da paz, proclamamos a santidade de todos os textos sagrados e convidamos cada um a abrir um diálogo sobre o Alcorão sagrado.

Queima provoca críticas no mundo todo

A iniciativa do pastor Terry Jones, líder da Dove World Outreach Center, gerou críticas em todo o mundo, assim como apelos de líderes políticos e militares para que não realize o ato.

A Casa Branca, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, o secretário de Justiça, Eric Holder, e o comando Otan (aliança militar do Ocidente) já apelaram para que Jones desista da ideia por, entre outras coisas, ameaçar a vida dos soldados americanos engajados na guerra. O Vaticano e a Liga Árabe também manifestaram sua reprovação.

Nesta quinta-feira, o presidente dos EUA, Barack Obama, também criticou o grupo. Segundo Obama, a iniciativa é “destrutiva e perigosa”.

Em entrevista ao R7, Jones admitiu que a queima do Alcorão, que pretende promover, pode ofender os muçulmanos. Mas disse estar se guiando na “verdade” de que o Islã é “diabólico”.

- Acho que o que estamos fazendo vai ofendê-las, definitivamente. Eu ficaria ofendido se alguém queimasse a Bíblia. Mas não podemos tomar decisões baseadas se as pessoas vão ficar ou não ofendidas. Temos que nos guiar por aquilo que é verdade, neste caso, que o Islã é do demônio.

Nesta quinta-feira, no entanto, Jones admitiu a possibilidade de suspender o ato caso receba um telefonema da Casa Branca.

- Se isso acontecesse, definitivamente nós voltaríamos a pensar. Isto é o que estamos fazendo agora. Não penso que uma ligação deles seja algo que queremos ignorar.

Os atentados de 11 de setembro de 2001 deixaram quase 3.000 mortos em Nova York, após militantes da rede Al Qaeda terem sequestrado dois aviões de passageiros e se chocado com eles contra as Torres Gêmeas - na época os edifícios mais altos da cidade.

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