A história de um pastor que vendeu a alma para o diabo

A história de um pastor que vendeu a alma para o diabo

Atualizado: Sexta-feira, 12 Julho de 2013 as 1:09

pastorEra uma vez um pastor de uma pequena igreja chamado José (nome fictício).
 
José era um líder comprometido com Cristo e com a pregação do Evangelho, no entanto, os resultados do  seu trabalho não estavam aparecendo tão rápido como ele gostaria. Diante disso, os diáconos de sua igreja resolveram pressioná-lo ameaçando-o com a demissão caso que ele continuasse pregando sobre temas tão ultrapassados. Afinal de contas, diziam eles, ninguém está interessado em ouvir sobre, pecado, inferno, salvação das almas, santidade de vida e compromisso com o Reino. Nos dias de hoje, defendiam os diáconos, o povo quer ouvir sobre prosperidade, bênçãos, enriquecimento, vitórias e alegrias perene.
 
Pois bem, José com medo de perder a  Igreja cedeu a pressão.  E a primeira coisa que fez foi transformar a reunião de oração do meio da semana em culto da prosperidade. O pastor ficou impressionado com o resultado! Não é que deu certo? Pensou ele consigo mesmo! "Antes tínhamos no culto 10 pessoas, agora temos 100! Isso é bom demais", vociferou o encantado pastor. Logo depois, José entendeu que o povo precisava quebrar algumas maldições hereditárias, para tanto, ele criou a "sexta feira forte da quebra das maldições provenientes do diabo."  Não é que dobraram o número de frequentadores? 
 
Vendo que suas ações estavam funcionando, José resolveu não mais pregar o velho evangelho. Na verdade, ele entendeu que o pastor precisa  pregar aquilo que o povo quer ouvir e que essa história de defender as doutrinas da Bíblia  não tá com nada e que a melhor coisa que pode ser ser feita por um líder é pregar sobre as bênçãos de Deus.
 
José estava tão encantado com um número de pessoas em seus cultos que começou a achar que era uma pessoa especial. Nessa perspectiva, resolveu ser apóstolo. Pois bem, ele marcou um "poderoso" culto de coroação e diante de uma platéia extasiada pelo poder,  foi consagrado "Apóstolo principal da fé evangélica cristã dos últimos dias." Se não bastasse isso, o agora apóstolo José, começou a ter várias revelações que segundo ele, eram tão importantes quanto a Bíblia. José mesmo passou afirmar que aquilo que falava tinha o mesmo peso das Escrituras e que devido a isso, ninguém poderia contrapor-se aos seus ensinamentos e caso alguém o fizesse estaria tocando no ungido do Senhor.
 
Um dia, José ao chegar ao aeroporto de sua cidade para pegar o seu avião particular, encontrou com um antigo amigo de seminário, que ao contrário do apóstolo manteve-se firme pregando o evangelho.
 
José quando viu o colega  declarou:  "Eu te abençoo com a minha unção apostólica"
 
O colega que já sabia das loucuras de José disse: "Como é que é? Não entendi! Por favor José, me diga em que lugar das Escrituras encontramos essa história de unção apostólica?"
 
José, cheio de ira se interpôs a fala do pastor dizendo: "José não, apóstolo divinizado José. Como ousa falar isso com o ungido do Senhor?"
 
O seu antigo amigo, replicou dizendo: "Pelo que eu saiba o ungido na Bíblia é Cristo e não você!"
 
José com cara de nojo e desprezo respondeu:  "Cristo me escolheu para ser o patriarca apostólico, portanto, trate-me com reverência e respeito."
 
O amigo de José  tentando argumentar disse: "O que houve com você? Cadê aquele servo de Deus que pregava o Evangelho? O que você se tornou?"
 
José sem titubeios respondeu dizendo: "Eu não me tornei, eu sou." Aquele  evangelho fraquinho que pregava não produzia frutos. Deus me concedeu uma grande revelação e agora eu prego o que dá certo." Alias,  já está tarde, estou atrasado, tenho que ir embora." 
 
Estendendo a mão em direção ao amigo, José mostrou o seu anel apostólico, cravejado de diamantes no intuito de que o antigo colega de seminário o beijasse.
 
Como o seu amigo se recusou a cometer tal sandice, José o amaldiçoou com suas pragas apostólicas.
 
Pois é, o ex-colega de José, triste com o que viu, chegou a conclusão que o outrora pastor tinha vendido a alma tanto para o pragmatismo como para o diabo.
 
 
- Renato Vargens

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