Homem-bomba

Homem-bomba

Atualizado: Quinta-feira, 4 Fevereiro de 2010 as 12

Por Tais Machado

Hoje o termo homem-bomba é familiar. O terrorismo nos fez conhecer a disposição de homens e mulheres dispostos a morrer pelo que creem, se explodindo e levando inocentes consigo em nome de uma compreensão radical e fé fanática.

Aqui no Brasil outro tipo de homem-bomba tem se popularizado. É a pessoa que, ao se sentir injustiçada, e ao mesmo tempo conhecer estruturas escusas de poder, é capaz de tudo. O sujeito grava procedimentos ilícitos, para usá-los em negociações posteriores e como moeda de ameaças. A partir dessas provas, esquemas de corrupção têm sido desvendados e explodem em nosso cotidiano.

Parte da complexidade do problema é que tais pessoas nem sempre morrem politicamente. São Highlanders - guerreiros imortais. É a triste realidade de um país onde reina a impunidade.

Há vários tipos de violência e explosões em nossos dias. Assistimos seus efeitos e nos enclausuramos, tentando nos proteger, nem sempre plenamente conscientes das implicações dessa atitude.

Por outro lado, seria bom refletirmos também sobre o efeito devastador do evangelho, o poder revolucionário das palavras e ensino de Jesus. Como diz Brennan Manning, em seu delicioso livro Meditações para Maltrapilhos, "o mundo foi irreparavelmente mudado por Jesus Cristo.

Quando pregada de forma pura, sua Palavra exalta, amedronta, choca e nos força a reavaliar toda a vida, se somos sinceros. O evangelho quebra nossa linha de pensamento, destrói nossa piedade confortável, abre nossas verdades encapsuladas". Sim, o evangelho explode tudo dentro da gente. Nada mais fica no lugar. Revemos posturas, estilos, nossa cosmovisão.

Manning continua: "O evangelho não é nenhum conto de Poliana para o inofensivo, mas um terremoto convulsivo, arrasador, um trovão que se propaga no mundo do espírito humano". O epicentro do terremoto acontece em nosso coração, e nossos pensamentos são varridos, nossos sonhos e desejos entram num turbilhão, tudo fica diferente.

O impacto inicial é sem medida, porém, não acaba ali. Os efeitos trazem mudanças radicais, mudam nosso rumo existencial. É um processo que se prolonga pela vida.

Os que estão ao redor certamente perceberão sinais, marcas indeléveis que levaremos onde quer que estejamos. E, provavelmente, isso atrairá uns e afastará outros.

A história pessoal de quem experimenta o evangelho de Cristo Jesus é transformada. Mais do que manchetes que logo mais serão esquecidas. Vai além de tragédias que entram discretamente para a história. O evangelho explicita o que antes nos esforçávamos para esconder e resistíamos em assumir. Jesus nos mostra quem de fato somos e nos evidencia quem poderíamos ser.

Partilhar o evangelho de Jesus é testemunhar um big-bang pessoal - a explosão que deu origem a tudo novo em nós. Repartir a vivência com Jesus é recontar a sua própria história, é dizer da explosão que causou a morte, mas uma morte que trouxe vida. É testemunhar a ressurreição no cotidiano.

O que poderia ter mais força que o evangelho? Então, por que não partilhá-la com mais ousadia, por que não se deixar tomar por tal alegria que a vida nele traz? Por que viver como se isso fosse pouco ou não suficiente? Por que correr atrás do vento?

Se o evangelho já entrou em nossas entranhas, se a verdadeira vida já não nos é estranha, então, que nosso estilo de vida aponte para a razão do existir, indique para onde vamos, o que cremos, enfim, mostre que a vida no Reino de Deus é mais com menos.

Que o Pão da Vida seja saboreado, digerido e partilhado. Ele nos sustenta. E uma verdadeira ceia pode ser desfrutada. Convidemos outros para a mesa. O banquete está posto.

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