“A igreja é um dos piores lugares para pedir ajuda”, diz cristã que foi vítima de abuso sexual

A ex-ginasta Rachael Denhollander, conhecida por pregar o evangelho para estuprador no Tribunal, disse que teve dificuldades de lidar com o assunto na igreja.

fonte: Guiame, com informações de Christianity Today

Atualizado: Terça-feira, 20 Fevereiro de 2018 as 1:14

Rachael Denhollander é uma das 150 mulheres abusadas pelo Dr. Larry Nassar. (Foto: Jeff Kowalsky/Agence France-Presse/Getty Images)
Rachael Denhollander é uma das 150 mulheres abusadas pelo Dr. Larry Nassar. (Foto: Jeff Kowalsky/Agence France-Presse/Getty Images)

A ex-ginasta Rachael Denhollander, que foi abusada sexualmente aos 15 anos de idade pelo médico de esportes, falou sobre as dificuldades que teve em lidar com seus traumas na igreja.

Rachael Denhollander foi a primeira mulher a expor os casos de abuso em 2016, e pregou o Evangelho para o agressor durante sua declaração no tribunal dos Estados Unidos. Conforme decisão da Justiça, Nassar foi condenado a 125 anos de prisão pelos crimes hediondos.

Olhando para seu passado, a ginasta revela que a igreja tem um apoio limitado às vítimas de abuso. “A Igreja é um dos lugares menos seguros para reconhecer um abuso, porque a forma como é aconselhada é, na maioria das vezes, prejudicial para a vítima”, disse ela, em entrevista ao site Christianity Today.

“Há uma falta de conhecimento abominável sobre o dano e a devastação que o abuso sexual traz. É com profundo pesar que eu digo que a igreja é um dos piores lugares para pedir ajuda. Isso é difícil de dizer, porque sou uma evangélica muito conservadora, mas essa é a verdade. Há muito, muito poucos que já encontraram uma verdadeira ajuda na igreja”, observa.

Denhollander revelou defender as vítimas de agressão sexual custaram para ela sua “igreja e amigos mais próximos”. Ela acredita que parte do problema é que as igrejas ficam assustadas em lidar com pessoas que sofreram traumas emocionais e físicos. Em vez disso, muitas igrejas procuram oferecer uma ajuda superficial.

“Muitas vezes, senão sempre, as pessoas são motivadas por uma teologia pobre e uma compreensão fraca da graça e do arrependimento, que faz com que elas lidem com agressões sexuais de forma que muitos agressores não sejam controlados, muitas vezes por décadas. Quando você vê um compromisso teológico de lidar com agressões sexuais de forma inadequada, você tem menos esperança de mudar isso”, disse ela.

Rachael destacou ainda que muitas igrejas evangélicas evitam falar contra os abusos em sua própria congregação, porque temem que isso afete sua popularidade. “Essa não é uma mensagem que os líderes evangélicos querem ouvir, porque custaria falar sobre sua comunidade. Custaria assumir uma posição contra líderes muito proeminentes”, afirma.

Denhollander advertiu as igrejas que usam o Evangelho de Cristo “como uma arma contra vítimas de agressão sexual”, quando imploram que elas perdoem seus abusadores sem mencionar a justiça.

“Todas as publicações ou palestrantes cristãos que mencionaram meu caso só se concentraram no aspecto do perdão. Muito poucos reconheceram o que veio junto com essa acusação, que foi uma busca rápida e intencional da justiça de Deus. Ambos são conceitos bíblicos. Ambos representam Cristo. Nós não fazemos certo quando nos concentramos em apenas um deles”, disse Rachel.

Entretanto, a ginasta afirma que perdoou seu abusador conforme os princípios das Escrituras. “Isso significa que eu confio na justiça de Deus e me liberto da amargura, raiva e desejo de vingança pessoal. Isso não significa que eu minimize ou desculpe o que ele fez. Isso não significa que eu busque a justiça na Terra com menos zelo. Significa simplesmente que eu me liberto da vingança pessoal contra ele e confio na justiça de Deus”.

veja também