Igreja Metodista em Portugal comemora 140 anos

Igreja Metodista em Portugal comemora 140 anos

Atualizado: Sexta-feira, 29 Abril de 2011 as 5:44

“A fundação da Igreja Metodista Portuguesa está associada aos soldados e oficiais do contingente inglês que nos ajudou a combater as invasões francesas”, referiu à Agência Lusa o reverendo Jorge Barros.

A mancha geográfica da presença metodista em Portugal tem especial incidência a norte – com lugares de oração no Porto, Oliveira de Azeméis, Vale de Cambra, Mourisca do Vouga e Aguada de Cima – mas está também presente em Lisboa e Moita. Os templos são caracterizados por linhas sóbrias exteriores e interiores minimalistas, em que a cruz ocupa lugar de destaque e, ao contrário das igrejas católicas romanas, sem qualquer imagem de santos.

De boas relações com a Igreja Católica, como atestam as iniciativas ecuménicas conjuntas, no âmbito, por exemplo, da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, o reverendo Jorge Barros aponta, no entanto, algumas diferenças.

À parte das questões levantadas pela Reforma Protestante do século XVI, liderada por Martinho Lutero, há divergências, como a da infalibilidade papal, o dogma da ascensão da imaculada Conceição e a virgindade perpétua de Maria.

“A Igreja Metodista reconhece os santos bíblicos e até alguns históricos, como, por exemplo, São Francisco de Assis, mas não promove a sua adoração enquanto intermediários”, explica Jorge Barros.

Também quanto aos sacramentos há diferenças: a Igreja Católica Romana reconhece sete atos sacramentais, um dos quais o próprio casamento vedado aos seus padres, e a Igreja Metodista apenas dois.

“Nós temos apenas dois sacramentos. O batismo e a eucaristia. Entendemos o matrimónio como bênção, não como sacramento, e a eucaristia com um ministério profético, mas não somos sacerdotes”, disse.

Jorge Barros recorda ainda que a Igreja Metodista foi pioneira há cerca de 14 anos ao permitir o acesso de mulheres ao pastorado - neste momento existem duas.

Depois de enorme dependência de Inglaterra até há 30 anos, a Igreja Metodista possuiu hoje autonomia administrativa quase total. O auxílio financeiro inglês é inferior a 20 por cento.

O pastor salientou ainda a ação social desenvolvida ao longo dos anos, nomeadamente a fundação de escolas primárias e a alfabetização de adultos (noturna), para combater o analfabetismo.

Após o 25 de Abril, “surgiram muitas escolas do Estado”, o que levou a Igreja Metodista a fechar as suas instituições, “por já não serem essenciais”, virando-se então para as creches, infantários e lares de idosos, explicou o responsável.

A assinalar os 140 anos da sua fundação, a Igreja Metodista prepara uma incursão às origens, percursos e identidades, realizando um seminário a realizar sábado na Igreja do Mirante, no Porto, e a repetir a 01 de outubro em Lisboa, a viagem às origens da IEMP inclui uma exposição itinerante com fotografias e informação histórica.  

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