Igreja Museu ou Igreja Shopping? Eu prefiro a Igreja Viva!

Igreja Museu ou Igreja Shopping? Eu prefiro a Igreja Viva!

Atualizado: Segunda-feira, 1 Agosto de 2011 as 4:08

  Não! Não se assustem ou talvez, não se regozijem! Não tenho a intenção de substituir meus textos por vídeos inaugurando uma nova fase no nosso blog. Mas coincidentemente assisti a alguns vídeos que me chamaram bastante a atenção e sempre gosto de compartilhar esses ‘achados’ com os 34 leitores do Observatório Cristão. Este vídeo eu pesquei na timeline do Samuel Mizrahy na tuitolândia e resolvi parar uns minutinhos de meu trabalho para assistir. Fiquei tão impressionado com a história de uma igrejinha que depois de apenas duas gerações transformou-se num museu que resolvi fazer alguma aplicação prática para o blog.

Na verdade, sempre tenho uma visão relacionada a alguma questão de meu universo próprio e esse universo quase sempre tem a ver com o mercado fonográfico e o mundo artístico. Fiquei imaginando como poderia aplicar essa história relata no vídeo com o dia a dia de artistas. Acho que poderia fazer uma ilustração de como os artistas precisam estar focados no compromisso de falar mais de Deus e menos de si. Ou talvez, da importância de todos os dias sermos confrontados com o real objetivo de nossa existência que não é outro senão glorificar o nome de Deus e de falar de seu amor por toda a humanidade. Ou ainda, de como cada um de nós deve sempre voltar às coisas simples para que não nos afastemos do caminho e de como é difícil mantermos essa pureza em tempos de tanta concorrência, pecado e distrações.

Mas ao longo do vídeo e dos pensamentos chegando à minha mente fui sendo levado a uma outra análise. Não focado ao mundinho gospel, mas a algo bem mais amplo e importante para nossa sociedade e vida, algo que realmente merece minutos de reflexão não somente de artistas, mas de todos os que professam a fé cristã. Aquela igreja, aparentemente localizada num rincão dos Estados Unidos, possivelmente numa área rural daquele país, desapareceu, virou um museu … parece-me que ela foi perdendo relevância, as pessoas foram se afastando, sua audiência foi diminuindo e chegou a um ponto crítico onde simplesmente perdeu sua razão de ser, de existir.

Aqui no Brasil não temos ainda esse momento de fechamento de igrejas. Esse é um fenômeno mais presente nos Estados Unidos e principalmente na Europa, onde templos são desativados e chegam até a virar boates ou restaurantes. No nosso país, observamos um fenômeno diferente e completamente antagônico a este relatado no vídeo, vivemos a explosão exponencial de abertura de igrejas e templos. No trajeto de minha casa ao trabalho, seguramente passo por 80 a 100 igrejas evangélicas. Cada qual de um tamanho distinto, de doutrinas diferenciadas e de objetivos os mais díspares possíveis. No cardápio eclesiástico do Brasil encontramos igrejas pentecostais, neo-pentecostais, tradicionais, ortodoxas, igrejas voltadas para jovens, surfistas, skatistas, tatuados, roqueiros, reformadas, tradicionais-quase-romanas, pentecostais-do-reteté, e por aí vai, ou seja, tem para todos os gostos.

E aí minha reflexão motivada pelo vídeo focou justamente sobre esse boom de igrejas no Brasil. Entendo que da mesma forma como aquela igreja virou museu no interiorzão norte americano, corremos o risco de termos a igreja evangélica brasileira virando não museus, mas shoppings onde o fiel terá acesso às mais variadas opções de Evangelho num autêntico “self service da fé”. E de igual forma com o que acontece nos Estados Unidos ou na Europa, o fim pode ser trágico, ou seja, podemos observar o afastamento das pessoas ao Evangelho genuíno, aquele onde é pregado o amor, a simplicidade, o respeito, a fraternidade, a compaixão pelo próximo, coisas simples assim.

Tenho visto um evangelho sendo pregado no Brasil de forma triunfalista, mercantilista, regado à campanhas intermináveis, numa política de trocas entre o ser humano e Deus, com muito discurso e efetivamente pouquíssima prática e menos ainda atenção ao indivíduo. O evangelho que tenho visto nas TVs fala com as massas e abandona o indivíduo. O evangelho das TVs mostra sua força de pressão, reúne milhares em prol de objetivos particulares, mas pouco se mobiliza pelo sofrimento do ser.

Não quero expor as nossas feridas! Também não quero ser um paladino de coisa alguma. Apenas estou usando esse espaço para de alguma forma estimular você a pensar diferente sua vida! Comece a revolução a partir de sua postura, pelo menos o ser mais importante desse mundo poderá ser mudado e esse alguém é você! Deus te abençoe e que todos nós possamos entender dia a dia a simplicidade do Evangelho de Jesus Cristo.

Por Mauricio Soares

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