Igreja no Pará coleta doações para vítimas de incêndio

Igreja no Pará coleta doações para vítimas de incêndio

Atualizado: Quarta-feira, 1 Dezembro de 2010 as 9:14

“Pede e dar-se-vos-á. Buscai e achareis”. O versículo de Mateus é bem visível logo na entrada do pequeno templo e, mesmo que involuntariamente, serviu como uma lição prática de solidariedade para grande parte dos moradores da Rua Barão do Triunfo, vizinhos da tragédia que no final de semana passado que atingiu várias famílias e matou seis pessoas num incêndio ainda mal explicado. No templo local da Assembleia de Deus estão concentrados os maiores volumes de doações arrecadadas tão logo o fogo foi debelado.

São roupas, calçados, material de higiene pessoal, cestas básicas e até eletrodomésticos. Servem para amenizar minimamente a dor dos que perderam tudo e fazer com que essas famílias possam, aos poucos, retomar a vida cotidiana. “O mais importante é a vida humana”, diz o pastor Aniraldo Pereira dos Santos, 60 anos, e pouco mais de três décadas de pastorado.

O trabalho de captação das doações começou logo na primeira noite. Santos diz ter acionado imediatamente outros pastores e a partir daí se fez uma corrente de solidariedade que serviu, inclusive, para romper barreiras entre os seguidores da igreja e o restante dos moradores da rua. “Quebrou o preconceito”, diz o pastor.

É difícil precisar o quanto já foi arrecadado. Só na manhã de ontem (30) foram distribuídas 40 cestas básicas. As roupas espalhavam-se em trouxas por todos os bancos da igreja. Um trabalho voluntário que uniu cerca de 30 pessoas entre jovens da igreja e outros moradores.

“No começo ficamos um pouco atarantados”, diz Gisele Mota, que tomou para si a incumbência de coordenar a distribuição do que foi arrecadado. Isso porque, mesmo nesses momentos de extrema necessidade por parte de quem foi vitimado por uma tragédia, há sempre quem queira se aproveitar da situação e lucrar com a dor alheia. “Fizemos uma lista com as pessoas que faziam parte das famílias. Descobrimos que havia o nome de três pessoas que não tiveram as casas atingidas. Refizemos a lista com o nome de todas as pessoas atingidas para que ficasse organizado”, diz Gisele.

Moradores unidos para dar auxílio As iniciativas de solidariedade não partiram só da igreja. Um grupo de moradores também arregaçou as mangas e decidiu promover um bingo beneficente para arrecadar fundos aos moradores atingidos pelo incêndio. “Conseguimos dez prêmios só com doações”, diz Marcos Lima, um dos organizadores do bingo.

São prêmios relativamente simples. Uma bicicleta, cinco cestas básicas, um ferro elétrico, dois jogos de cama, um colchão, R$ 100 em dinheiro, um liquidificador, uma panela de pressão, um ventilador e uma televisão. A cartela custava R$ 10.

“A gente sempre fez uma brincadeira aqui na época do Natal. Esse ano, por causa dessa tragédia, vai ser o bingo. Não vai ter clima para a festa das crianças”, diz Márcia Lima, irmã de Marcos e também organizadora do bingo solidário. Ontem de manhã os cartazes do bingo estavam sendo pintados. Em cartolina e com caneta mesmo.

Josivana Gláucia Menezes é uma das pessoas que esperam por iniciativas como estas. No barraco de madeira que foi totalmente destruído pelo fogo, moravam ela e mais nove pessoas, entre pais, filhos, sobrinhos e avó. Na rotina dela nos primeiros dias depois do incêndio, estava a de ir buscar a cesta básica com arroz, farinha, macarrão e outros produtos.

A casa agora é emprestada por um vizinho amigo. A avó Francisca Maria ainda está sob o impacto do que ocorreu na madrugada que não será esquecida. O pai de Josivana também não encontra respostas. A palavra que mais repete é obrigado.

Todos esperam. Querem ajuda. Ela vem oficialmente, com a promessa da Prefeitura de reconstrução de casas. Ou de moradores quase tão pobres quanto eles, que sabem repartir o pouco que têm. “Batei e abrir-se-vos-á”, complementa o versículo bíblico escrito por Mateus. É o que tem ocorrido numa vila destruída próximo à Rua Barão do Triunfo.

(Diário do Pará)

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