Igrejas lançam "candidatos oficiais" e traçam metas para votos nas eleições

No Amazonas, igrejas investem em espaço no parlamento

Atualizado: Terça-feira, 10 Abril de 2012 as 10:17

O trabalho de igrejas evangélicas no Amazonas tem ido além da elevação do espírito, incluindo entre as orações, a política partidária e a escolha de nomes de candidatos para a disputa eleitoral. O alto escalão das igrejas instituiu a figura do ‘candidato oficial’, traçando metas de votos - o principal fator para negociar apoio ou cargos públicos. 

Conforme noticiado no D24AM, nas últimas eleições municipais, quatro partidos declaradamente religiosos (PRB, PSC, PTC e PSDC) somaram, no Amazonas, 139.301 votos, elegendo 61 nomes. Líderes religiosos afirmam que, depois de um período inicial distante dos partidos, as igrejas evangélicas passaram a estimular o despertar da ‘consciência eleitoral’ entre os fiéis em grupos de casais, de famílias e de jovens. Ainda assim, os líderes falam que o livre arbítrio é preservado.

A Assembleia de Deus é a igreja evangélica com a maior força política no Estado, tendo uma bancada com seis vereadores em Manaus, 75 eleitos no interior, deputados estaduais e federais, além de 320 mil fiéis (quase 10% da população amazonense) já traçou metas de votação para as próximas duas eleições, realiza seminários sobre legislação eleitoral, e tem, inclusive, um departamento voltado exclusivamente para a política. De acordo com o líder do Departamento de Conscientização Política da Igreja, pastor Raimundo Chagas, a Assembleia já discute política há 20 anos. O pastor, ao contrário dos demais, negou a presença do “candidato oficial”, dizendo que os fiéis são livres para votar. 

Quem também não ficou de fora do planejamento foi o Ministério Internacional da Restauração (MIR), liderado pelo pastor Renê Terra Nova, que quer aumentar o seu volume de votos na eleição deste ano, como informou ao jornal o único parlamentar da igreja na Câmara Municipal de Manaus (CMM), vereador Marcel Alexandre (PMDB), eleito com 11.061 votos. Em 2012, a MIR terá novamente o peemedebista como o “candidato oficial”. Segundo o vereador, a igreja optou por ter só um político por entender que “o importante não é a quantidade de parlamentares, mas sim o volume de votos”. 

Na prática, a religião tem avançado sobre a política. Os pastores amazonenses relataram que, no início, as igrejas evangélicas não participavam da política por “achar um lugar sujo”. “Nós agora temos uma perspectiva totalmente diferente: ninguém se suja quando não quer”, falou Nídia. Nas eleições de 2010, PRB, PSC, PTC e PSDC, legendas cristãs, conquistaram, no Amazonas, 235.037 votos para os cargos de deputado federal e estadual - aumento de 68,7% em relação à eleição de 2008.

Os evangélicos ouvidos pelo DIÁRIO foram unânimes ao defender que a igreja pode entrar na política, já que a Bíblia é um “livro político”. “Quando o justo governa, o povo se alegra”, disse a pastora Nídia Limeira, da Restauração, ao citar Provérbios. “A pessoa justa não pode negociar princípios, tem que agir dentro das leis. Ela tem que ter uma vida que realmente demonstre aquele evangelho, que ela diz que segue”, disse. 

Já o pastor Chagas, da Assembleia de Deus, não soube citar um trecho da Bíblia que fale sobre política, mas destacou que o livro é “político de ponta a ponta”. 

 

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