Igrejas latino-americanas propoem racionalizar ajuda humanitária a refugiados

Igrejas latino-americanas propoem racionalizar ajuda humanitária a refugiados

Atualizado: Segunda-feira, 6 Setembro de 2010 as 11:17

O programa de registros, incentivado pelo governo equatoriano nas cinco províncias da fronteira norte do Estado, detectou este ano a presença de 28 mil refugiados colombianos no país, dentre eles pessoas vítimas da exploração sexual e do narcotráfico controlado por grupos colombianos armados.

O Conselho Latino-Americano de Igrejas (CLAI) propôs um encontro binacional de igrejas na fronteira dos dois países para racionalizar e coordenar os projetos de apoio a refugiados nos dois países, evitando, assim, a duplicação de esforços da assistência humanitária.

A proposta foi apresentada pelo secretário-geral do CLAI, pastor Nilton Giese, à comissão de representantes de igrejas dos Estados Unidos que esteve em Quito de 27 a 31 de agosto para conhecer melhor a situação das vítimas da guerra civil colombiana que se refugiaram no Equador.

Representantes de organismos ecumênicos presentes na fronteira norte do Equador denunciam o quadro de violência na região, que tem raízes no narcotráfico. Paramilitares e narcotraficantes colombianos controlam as rotas de distribuição da droga no Equador. Assassinatos não são investigados por temor aos grupos armados.

A pobreza é alarmante na região. Mais de 70% do comércio entre a Colômbia e o Equador na área são ilegais. Cerca de 30% da população precisam de proteção internacional. Na localidade de San Lorenzo, 10 mil colombianos vivem em situação de extrema miséria, sem nenhum tipo de assistência de saúde, educação ou serviços públicos. Energia elétrica na área só existe três dias por semana.

Do lado colombiano, o governo não permite a saída de refugiados ao Equador, o que aumenta o desespero das vítimas, que não têm nenhum tipo de segurança nesse país.

Giese explicou aos visitantes que a solução de longo prazo dos conflitos nessa região do Equador não se dará por mais presença militar. “O que a região precisa é de investimento econômico, presença dos serviços do Estado que favoreçam o desenvolvimento das comunidades, com melhores vias de acesso e valoração dos produtos agrícolas tradicionais que possam ser uma alternativa ao cultivo da coca”, defendeu.

O secretário geral do Conselho Nacional de Igrejas de Cristo nos Estados Unidos, Michael Kinnamon, e o presidente do Serviço Mundial de Igrejas, bispo anglicano Johncy Itty, que lideram a comitiva dos visitantes, manifestaram o desejo de ampliar as relações com o CLAI na defesa dos direitos humanos dos refugiados.

“Nós não apoiamos a construção das sete bases militares na Colômbia e estamos dispostos a fazer a advocacia no Congresso dos Estados Unidos para que a ajuda à América Latina seja mais direcionada a projetos do meio ambiente e promoção social”, disse Kinnamon.

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