Igrejas são contra a inclusão de Cuba na lista de países terroristas

Igrejas são contra a inclusão de Cuba na lista de países terroristas

Atualizado: Terça-feira, 26 Janeiro de 2010 as 12

''As 'promesas' usadas en sua campanha a respeito do nosso país, eram somente isso; simples promessas que você e seu partido só utilizariam para ganhar aquilo pelo que qualquer pesoa, que aspira à presidência do país que você representa, busca: o poder''.

Assim começa uma carta aberta que o Grupo de Reflexão e Solidariedade ''Oscar Arnulfo Romero'', movimento ecumênico e alternativo de inspiração católica, enviara, na semana passada, baseado no fato de que Cuba foi incluída, recentemente, na lista de países terroristas, confeccionada a cada ano pelo governo dos Estados Unidos.

''Assim mesmo lhe foi entregue o Prêmio Nobel da Paz e a partir de nossa vocação cristã entendemos que a Paz que você e seu país representam é a Pax Romana, expansionista e alcançada só à força de poder e com rastros de vítimas que deixava nos lugares pelos quais passava o império romano. Essa paz, senhor presidente, nada tem a ver com o Shalom de Deus, resumido nas palavras de Jesus quando disse: ‘Eu vim para tenham vida e vida em abundância (Jo. 10:10)'.''

Nos parágrafos seguintes se alude à dita inclusão e exprexsa: ''Algum dia seu império cairá como todo império que a História tem tido . Algum dia se escreverá a lista de países solidários e justos, e creia, senhor presidente, que nessa lista e todas as que se seguirão escrevendo, o primeiro país será Cuba''.

''Neste ano comemoraremos os 30 anos do martírio do monsenhor Oscar Arnulfo Romero; bispo de El Salvador, assassinado por um grupo de mercenários pagos por seu país. Queremos recordar as palavras de Romero, hoje: ‘E aos ricos lhes quero dizer também que não basta uma pobreza espiritual, uma espécie de desejo mas sem eficácia, a eles digo: enquanto não encarnarem essos desejos de pobreza evangélica em realizações que se interessem, como em sua própria causa, pelos pobres, como se se tratasse de Cristo, seguirão sendo chamados os ricos, os que Deus despreza...'', conclui a missiva escrita por Gabriel Coderch Díaz y Luis Carlos Marrero Chasbar, diretores do dito grupo ecumênico de católicos cubanos.

Por sua parte, o bispo-presidente da Igreja Evangélica de Confissão Luterana em Cuba, reverendo Ramón M. Benito Ebanks, emitiu uma declaração desse bispado, em que manifesta que ''É realmente imoral por a Cuba revolucionária na lista de Estados patrocinadores do terrorismo, precisamente por aqueles que têm uma escola para preparar e exportar terroristas em direção aos países que, pelo humanismo que irradiam ao mundo inteiro, se convertem em pedra de tropeço para os grandes interesses norte-americanos, das transnacionais e as oligarquias nacionais dirigidas pela política enferma do império norte-americano''.

A mesma faz uma análise de como o próprio governo estadunidense manipula essa lista a favor de seus interesses, chama a somar-se ao reclamo e manifesta que ''nossa Igreja e sua direção, presidida por seu bispo-presidente, põe em mãos de homens e mulheres, nacionais e estrangeiros, esta declaração, na qual não admitimos que se ponha Cuba numa lista não merecida, porque Cuba luta pela vida e não pela morte, tendo consciência de que a morte é um ato natural dado por Dios, que a dá e retira, mas não com violência''.

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