Indulto a cristã Paquistanesa gera conflito no Paquistão

Indulto a cristã Paquistanesa gera conflito no Paquistão

Atualizado: Segunda-feira, 29 Novembro de 2010 as 9:14

Uma coalizão de muçulmanos sunitas paquistaneses advertiu nesta sexta-feira que um eventual indulto a uma mulher cristã condenada à forca por blasfêmia desataria "a anarquia" no país.

"O indulto provocaria a anarquia", disse à AFP Sahibzada Fazal Kareem, chefe da Sunni Ittehad Council, coalizão de grupos sunitas. Mais de 80% da população da República Islâmica do Paquistão são sunitas.

"Nossa posição é muito clara: (Asia Bibi) não pode escapar do castigo", acrescentou Kareem, anunciando manifestações contra o indulto.

Asia Bibi, uma camponesa pobre de 45 anos, mãe de 5 filhos, foi condenada à morte em 8 de novembro pelo tribunal de Nankana (leste), por blasfêmia contra o profeta Maomé, segundo acusação apresentada por várias mulheres muçulmanas do mesmo povo por animosidade contra ela.

Esta seria a primeira execução por blasfêmia no Paquistão.

Vários países, líderes políticos e organizações paquistanesas e internacionais pediram ao presidente Asif Ali Zardari que indulte Asia Bibi.

O ministro cristão de Minorias do Paquistão, Shahbaz Bhatti, apresentou na quinta-feira ao presidente Zadari um pedido de clemência, alegando que as acusações feitas pelas mulheres muçulmanas são fruto de rivalidades pessoais contra Asia Bibi, cuja família denuncia perseguições há tempos.

Este caso foi aberto em junho de 2009, quando colegas muçulmanas de Asia Bibi a acusaram, perante um mulá, de ter insultado Maomé. O líder religioso apresentou o caso à polícia, que abriu uma investigação.

Asia Bibi foi detida e condenada à morte por um tribunal de primeira instância. Agora espera o resultadao da apelação perante o Supremo Tribunal de Lahore (leste).

A Justiça paquistanesa não havia proferido nenhuma pena de morte por blasfêmia nos últimos anos. As pessoas acusadas, até agora, foram absolvidas ou condenadas a uma pena de prisão.

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