Insegurança alimentar preocupa hierarquia da Igreja Católica

Insegurança alimentar preocupa hierarquia da Igreja Católica

Atualizado: Quinta-feira, 4 Novembro de 2010 as 10:43

A insegurança alimentar que aflige os angolanos em algumas regiões do país preocupa a Igreja Católica. Esta posição vem reflectida na nota pastoral da II Assembleia anual que versou sobre o 35º aniversário da Independência de Angola.

O documento, apresentado pelo Bispo Emérito da Diocese do Uíge, Dom Francisco da Mata Mourisca, deplora essa situação e considera ser imperdoável que num país “riquíssimo” em recursos alimentares , as suas populações continuem a ser assoladas pela fome, apelando para a tomada de medidas urgentes que ajudem a inverter este quadro.

A Conferência Episcopal de Angola e São Tomé e Príncipe manifesta de uma maneira geral o seu regozijo pelos progressos alcançados ao longo dos oito anos após a pacificação do país, destacando-se a reparação que as vias de comunicação vitais para o desenvolvimento têm beneficiado, bem como reconhece avanços que honram a governação e de igual modo facilitam a vida dos cidadãos, apontando como exemplo a ligação das periferias com a capital, que conheceu inegavelmente grande progresso.

O investimento do Executivo na construção de infra-estruturas sociais por todo o país foi louvado pelos bispos da CEAST, mas reconhecem a necessidade de avançar mais país adentro, levando não só as escolas mas também os serviços primários de saúde às comunidades ou aldeias carentes destes serviços. Problemas como a falta de água potável, energia e habitação, no entendimento da hierarquia da Igreja Católica de Angola, são questões que levam a que o povo viva marginalizado da actual civilização.

“No sector social, de modo particular na educação, seria fechar os olhos à verdade não reconhecer o contributo da Igreja. Obstaculizá-la agora, na continuação deste mister, seria privar o país do melhor contributo que parceiro algum lhe pode proporcionar”, sublinha a nota pastoral.

A Igreja entende que ajudá-la a reconstruir as suas escolas e estruturas sanitárias, não significa privilegiá-la, mas sim ajudá-la a colaborar melhor no desenvolvimento do país, enfatiza a nota lida por Dom Francisco da Mata Mourisca.

Na menção que fazem ao índice de sinistralidade rodoviária que tem ceifado vidas de forma impressionante, os prelados católicos chamam a atenção aos condutores lembrando que estes não devem esquecer que “o volante é uma ‘arma’ cujo manuseio requer sumo cuidado e respeito pela vida”. Por fim, no domínio do Ambiente, os bispos das 18 províncias de Angola mais São Tomé e Príncipe, chamam a atenção para a defesa e salvaguarda da terra, apelando para o respeito desta sem a degradar com a exploração irracional dos seus recursos.  

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