José Bruno recebe médicos na CPI da Pedofilia

José Bruno recebe médicos na CPI da Pedofilia

Atualizado: Quarta-feira, 28 Abril de 2010 as 12

A segunda reunião da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pedofilia, que tem a incumbência de investigar casos de pedofilia no Estado de São Paulo aconteceu nesta terça-feira (27/4) na Assembleia Legislativa.

O presidente da CPI, deputado José Bruno (DEM), e os demais membros da comissão receberam a psicóloga Dalka Ferrari, do Centro de Referência às Vítimas de Violência do Instituto Sedes Sapientiae e o ginecologista e obstetra Jefferson Drezett, diretor do Núcleo de Atenção Integral à Mulher em Situação de Violência Sexual do Hospital Pérola Byington que aceitaram fornecer subsídios técnicos pelo porte de estudos e vivência na área.

Devido à maioria das abordagens acontecerem dentro da própria residência da criança e do adolescente, conforme citado na reunião pelos convidados, um dos aspectos que mais chamou a atenção dos parlamentares durante a exposição feita pela psicóloga foi o ''pacto de silêncio'' a que muitas famílias estão sujeitas. Algumas das situações refletem a dependência financeira da mãe que prefere se omitir a denunciar e a inexistência de um lugar seguro que ofereça proteção e socorro imediato para essas vítimas.

Diante dessa constatação, José Bruno informou sobre uma Indicação feita por ele ao governador de São Paulo, cujo objetivo é aplacar a insegurança e a falta de assistência a que muitas famílias estão submetidas nesses casos de abuso e violência sexual. ''Peço que nós, como comissão, possamos apoiar esse projeto, que prevê a utilização das seis casas abrigo para mulheres existentes em nosso Estado, para também receber as crianças abusadas e ameaçadas'', reforçou o presidente.

Outra questão defendida pelo parlamentar é a criação de uma comissão permanente para combater esse tipo de crime na Casa Legislativa de cada município paulista.

Já na apresentação do médico Jefferson Drezett, que há 16 anos atua no Hospital Pérola Byington, foram mostrados dados atualizados do atendimento desta instituição. Já no começo de sua exposição ele alertou para o fato de que este ''é um problema que envolve a intolerável violação de direitos humanos''.

O médico alertou ainda para os números alarmantes que apontam para este grave problema de saúde pública. Entre eles o fato de que 50% dessas crianças têm algum tipo de Doença Sexualmente Transmissível; que um terço delas tem menos de 14 anos de idade e 70% dos casos acontecem incestuosamente.

Apesar de os números expressarem o perigo da omissão social com o abuso contra menores, ele acredita que essa problemática vai além. ''Os números são importantes, mas é preciso mais do que isso para impactar as pessoas. Esse impacto não é apenas para situações de abuso, mas da exploração sexual, fenômeno concomitante com o turismo sexual'', disse.

Estiveram presentes os deputados Afonso Lobato, Vanessa Damo, Beth Sahão, Analice Fernandes e Haifa Madi. A reunião da CPI da Pedofilia acontece quinzenalmente, a próxima está marcada para o dia 11 de maio.

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