Jovens cristãos promovem inclusão cultural

Jovens cristãos promovem inclusão cultural

Atualizado: Segunda-feira, 16 Maio de 2011 as 11:22

Pesquisa realizada em 2008 pelo Instituto de Geografia e Estatística (IBGE), sobre a realidade cultural brasileira, mostra que mais de 90% dos municípios não possuem salas de cinema, teatro, museus e espaços culturais multiuso. Esses números explicam a exclusão cultural existente no País.

O levantamento também revela que a média brasileira de despesa mensal com cultura por família é de 4,4% do total de rendimentos, ocupando a 6ª posição dos gastos mensais. A pesquisa aponta que 92% dos brasileiros nunca frequentaram museus e 78% nunca assistiram a espetáculo de dança.

Com a finalidade de levar mensagens de fé e de proporcionar a inclusão cultural para o maior número possível de jovens, a Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) mantém projetos de dança, música e teatro em todo o Brasil. Um dos locais que já recebeu a visita do grupo foi a Casa Taiguara, no bairro da Bela Vista, centro da capital paulista, local que abriga crianças e adolescentes em situação de risco social, afastados dos pais e familiares. Durante a visita, os moradores receberam meia tonelada de alimentos e acompanharam a peça “Leiloa-se uma Vida”.

De acordo com o coordenador do lar, Vicente Almeida, a apresentação feita sobre a vida de um jovem que se entregou aos vícios e para se libertar deles rendeu-se a fé em Jesus, foi importante e proporcionou uma reflexão. “A maioria dos adolescentes que estão aqui teve ou tem problemas com drogas. Eles vêm de famílias desestruturadas e, embora aqui recebam tratamento médico e psicológico para se livrar da dependência, o resultado nem sempre é positivo. Com a peça, eles perceberam que, pela fé, é possível obter uma libertação dos vícios e ter uma nova vida”, diz. Para ele, o ideal seria que mais visitas desse tipo fossem feitas, pois os jovens gostaram muito e se interessaram pelo tema.

A companhia teatral existe há 11 anos, porém as apresentações eram limitadas aos templos da IURD. Mas, há 6 anos, o projeto se ampliou e os integrantes começaram a se apresentar também em locais públicos, casas de recuperação e centros de ajuda. Atualmente, a equipe conta com mais de 50 atores, que realizam em torno de quatro apresentações por mês. De acordo com a responsável pelo projeto, Fernanda Silva, de 25 anos, os temas das peças são escolhidos diante da necessidade do público. “Nós costumamos trabalhar com o drama, pois os locais em que nós nos apresentamos são compostos de pessoas que vivem ou viveram problemas familiares ou com drogas. Porém, se vamos a um local público, optamos por um tema musical ou pela comédia”, explica.

Para Fernanda, é prazeroso o trabalho do grupo de teatro, pois os temas voltados para a vida espiritual mostram o poder de Deus e são capazes de transformar vidas, indo além de entreter culturalmente os espectadores. Segundo ela, uma das apresentações mais marcantes foi a da peça “Everything” (que em português significa “Todas as coisas”), que mostrava alguém substituindo Jesus por todos os tipos de prazeres. Fernanda conta que ao final da apresentação podia ver lágrimas rolando dos olhos de pessoas da plateia, emocionadas com a mensagem apresentada. “Quando presenciamos esse tipo de reação é uma sensação de dever cumprido, de que toda a nossa dedicação valeu à pena”, diz.

Testemunho A tecladista Lays Miranda Duarte, de 19 anos (foto à esquerda), afirma que só está viva hoje graças a Deus e ao trabalho cultural da IURD. Ela conta que aos 15 anos se encontrava com uma mancha no pulmão que ocasionava constantes faltas de ar, pneumonias, asma e internações hospitalares. Lays sempre gostou de música, mas teve que se afastar das aulas de canto por causa da doença.

Por não conseguir se alimentar direito, com 1,73 de altura, chegou a pesar 45 quilos, época em que foi desenganada pelos médicos. “Eu vivia sob o efeito de medicamentos, tomava duas injeções por dia e mesmo assim o médico me disse que a qualquer momento poderia sofrer uma parada respiratória, pois meu pulmão estava comprometido e não conseguia mais manter a oxigenação ideal para meu organismo”, lembra.

Certo dia, Lays foi convidada a tocar teclado por um participante do projeto. Ela conta que após esse convite, tudo mudou em sua vida. Além de tocar, começou a participar das orações na IURD e, em pouco tempo, milagrosamente, alcançou a cura. Hoje, atua como tecladista do projeto musical e se emociona ao lembrar que já se apresentou para mais de 15 mil pessoas em uma reunião no Templo Maior, do Rio de Janeiro (RJ). “Muitas pessoas não valorizam o trabalho realizado pelos jovens, alguns até pensam que é perda de tempo, mas a verdade é que se não fosse esse projeto eu estaria morta”, afirma.

Em São Paulo, os ensaios acontecem todos os domingos, às 14 horas, na Avenida Celso Garcia, 499, no bairro do Brás, zona leste da capital paulista.

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