Laura Bush revela porque deixou de acreditar em Deus

Laura Bush revela porque deixou de acreditar em Deus

Atualizado: Quinta-feira, 29 Abril de 2010 as 12

Laura Bush acredita que ela e o marido foram alvos de uma tentativa de envenenamento em Junho de 2007, quando se encontravam na Alemanha, durante uma cimeira do G8. O episódio é narrado no novo livro de memórias da antiga primeira dama norte-americana, que deve ser lançado no final do próximo mês.

Segundo revelou ontem o New York Times, Laura Bush recorda esses dias passados na cimeira, que decorreu na cidade alemã de Heiligendamm. Tanto Laura como George W. Bush sentiram uma súbita indisposição, atribuída pela ex-primeira dama a uma tentativa de envenenamento, aliás investigada pelos serviços secretos dos Estados Unidos. Na altura, os médicos atribuíram o mal-estar do casal a um vírus contraído naquela viagem, o que nunca chegou a convencer por completo Laura Bush.

"Nunca nos apercebemos de que outros membros das restantes delegações presentes na cimeira tenham sofrido indisposições semelhantes a nossa. Misteriosamente, só os americanos foram afectados", escreve no seu livro, que terá por título Spoken from the Heart (Dito do Coração).

Um dos aspectos mais interessantes do livro, segundo os excertos já divulgados, relaciona-se com um episódio trágico na vida de Laura Bush, ocorrido quando ela tinha apenas 17 anos, em 1963. Ia ao volante de um carro que colidiu com outro num semáforo, matando o condutor: Michael Dutton, seu colega de liceu e antigo namorado. Laura ficou em estado de choque pelo sucedido. A tal ponto que perdeu a fé "durante muitos, muitos anos".

A mulher de George W. Bush revela nestas memórias que deixou de acreditar em Deus por não terem sido atendidas as suas preces nos momentos que se seguiram ao acidente. "Rezei para que ele não estivesse morto", confessa. Mas estava. "Foi a primeira vez que pedi alguma coisa a Deus, solicitando-lhe que poupasse uma vida humana", escreve Laura Bush. Este facto marcou-a para sempre, embora tenha acabado por recuperar a fé muitos anos depois, por influência do marido.

Nesta autobiografia, a mulher de George W. Bush ajusta contas com alguns dos políticos que mais criticaram o presidente. Políticos como a democrata Nancy Pelosi, atual líder da Câmara dos Representantes, que chamou "incompetente" ao antecessor de Barack Obama. Ou o líder da maioria democrata no Senado, Harry Reid, que brindou Bush com adjectivos depreciativos, como "mentiroso" e "falhado".

"Estas palavras demonstram a natureza paroquial de alguns membros do Congresso", escreve Laura Bush, denunciando a "deselegância" daquelas críticas.

George Bush

Em sua autobriografia, denominada "A charge to keep" (Uma Tarefa a ser cumprida), título de um hino metodista, Bush retrata sua jornada espiritual.

O ex-presidente americano conta que foi Billy Graham que colocou em sua alma "uma semente de mostarda" que o levou a "entregar novamente o coração a Jesus Cristo".

Bush remonta esta decisão ao passeio a pé pela praia do Maine em companhia do evangelista cristão Billy Graham. Conversando com Graham, Bush sentiu-se, segundo afirma, "humilde ao saber que Deus enviara o Seu Filho para morrer por um pecador como eu". Depois da sua decisão de se entregar novamente a Jesus, diz Bush, começou a ler regularmente a Bíblia e aderiu a um grupo de reflexão sobre o Livro Sagrado.

A biografia também conta que George e Laura foram ao Mar da Galileia e "subiram ao monte onde Jesus pregou o Sermão da Montanha". Foi, acrescenta ele, "uma sensação avassaladora, estar no local exato onde foi proferido o sermão mais famoso da história do mundo, o local onde Jesus definiu o caráter e a conduta do crente e revelou aos seus discípulos e ao mundo as bênçãos, a Regra de Ouro e o Pai-Nosso". Bush conclui a sua descrição da visita que fez a Israel afirmando saber que a fé muda as vidas: "a fé mudou a minha".

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