Lidando com o antagonismo cotidiano

Lidando com o antagonismo cotidiano

Atualizado: Sexta-feira, 17 Junho de 2011 as 1:29

A vida é feita de contrastes. Ela é como uma mesa com sabores não apenas variados e diferentes, mas antagônicos também.

Na verdade, os contrates fazem parte da nossa vida. Assim é o nosso cotidiano: um encontro de contradições, uma grande encruzilhada; mel e fel sobre a mesma mesa - ora doce, ora amargo, e não raro doce e amargo ao mesmo tempo. Com frequência, há oscilação entre alegria e tristeza, esperança e desespero, prazer e dor. São essas alternâncias que melhor refletem o fluxo da nossa existência.

Vista por este prisma, a vida parece uma grande incoerência, uma insensatez. Por que temos que conviver com tantos contrastes? Se Deus pode transformar o amargo em doçura, por que temos que experimentar o fel? No entanto, Deus o quer assim: o equilíbrio na diversidade.

Jesus também experimentou o mel e o fel. Ele percorreu caminhos parecidos com os nossos. Deus quis assim! Fez do Seu Filho não somente o padrão, mas também o sentido da nossa existência.

Os contrastes da vida possuem sua dimensão pedagógica. Logo, Deus tem Suas razões ao permitir que provemos de paladares tão díspares: a doçura do mel e o amargo do fel. Primeiro, por uma necessidade de contraste. É somente pela oposição de duas coisas que elas se definem melhor. A enfermidade nos faz valorizar a saúde; a prisão, a liberdade; a escassez, a abundância. Assim, o mel torna mais amargo o fel; e o fel, mais doce o mel.

A diversidade enriquece a vida. Se tudo ao nosso redor fosse somente mel, logo nossa existência ficaria enfastiada. O tédio é a doença da fartura. A vida fica sem graça quando tudo é muito fácil. O sábio Salomão escreveu com muita propriedade: Comer muito mel não é bom (Provérbios 25.27).

Uma segunda vantagem na diversidade dos sabores da vida, é que sendo feita de mel e fel, ela se constitui uma encruzilhada diante da qual somos levados a escolher caminhos. Vida é opção. O homem é responsável pelas escolhas que faz, e não Deus. O Senhor põe em nossas mãos a receita certa: aceitá-la ou rejeitá-la é uma decisão nossa.

Na vida humana, o fel vem de dentro do homem; é produzido pelo próprio homem com seus pensamentos negativos, sentimentos mesquinhos e atitudes danosas à vida. Então, o coração se transforma numa bolsa de fel, qual o fígado segregando bílis.

Conhecedor da interioridade humana, Jesus afirmou: Do coração procedem os maus pensamentos... São essas coisas que contaminam o homem (Mateus 15.18,19). O ser humano precisa drenar o seu coração (e logo). Purificá-lo dos resíduos amargos que o impedem de sentir a doçura do mel, pois a vida é um presente de Deus. Para drenar o coração, é preciso saber escolher entre o mel e o fel, entre o doce e o amargo. Esse equilíbrio é que dará a dose exata do sabor da vida. Eis a grande encruzilhada da nossa existência!      

Pastor Estevam Fernandes de Oliveira

Estevam Fernandes   ingressou no Seminário Teológico de Recife (PE) ainda jovem, em 1976, influenciado pelo seu irmão, Eli Fernandes (atualmente também pastor). Em1980, ainda seminarista assumiu o cargo de pastor auxiliar temporariamente na Igreja de Ilhéus (BA). Atualmente pastoreia a Primeira Igreja Batista de João Pessoa (PB).  

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