Liderança para o século XXI - Parte I

Liderança para o século XXI - Parte I

Fonte: Atualizado: sábado, 31 de maio de 2014 09:17

Ser líder cristão, em qualquer tempo, significará sofrer e renunciar a si mesmo. Jesus disse: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue , tome a sua cruz e siga-me. Quem quiser, pois, salvar a sua vida perdê-la-á; e quem perder a vida por causa de mim e do evangelho salvá-la-á (Mc 8:34-35, grifo nosso).

Seguir a Jesus envolve renunciar a si mesmo. Liderar na causa do mestre, então, só para aqueles que aprenderam a fazer isso. Para aqueles que já aprenderam a amar mais ao Senhor do que a suas próprias vidas. Para aqueles que já aprenderam a olhar mais para o outro do que para si mesmo. Para aqueles que já aprenderam a trabalhar para e com o outro e não para e, apenas consigo mesmo. É um grande desafio ser um líder cristão, principalmente no século XXI!

O século XXI, que chegou a pouco, já mostrou a que veio. Adotar o padrão de Jesus neste tempo, em que todos estão em busca de bem estar e satisfação, é remar contra a maré mesmo. Mas, o que o século XXI tem de tão diferente? O século XXI é um tempo de mudanças rápidas e de crise de identidade generalizada. O que era verdade até bem pouco tempo, hoje é relativizado, os valores estão mudando! E o pior: tudo tem de ser aceito com naturalidade.

A “tolerância” é a palavra da vez. Tudo tem de ser tolerado. É um tempo pluralista, onde os absolutos são questionados. É tempo de relacionamentos descartáveis. O que está na moda é ofast food. Parece que na nossa época nada é feito para durar. O efêmero é aceito com naturalidade.

Quando se olha para as famílias, é a mesma realidade. Estamos assistindo um desmoronamento dentro dos lares. Casamentos não são mais feitos para durar. A autoridade dos pais sobre os filhos nunca foi tão fraca. Pais e filhos cada vez têm menos contato. Em contraste com a questão da baixa dos absolutos e dos valores morais, a tecnologia cada vez mais avança. É uma busca insana pelo novo. Uma nova invenção, um novo programa, uma nova moda, uma nova tendência, etc.

Não podemos ser líderes no passado, afinal, ele já passou. Precisamos ser líderes no presente. Como o líder cristão deve se comportar nesta época? Concordo com Russel Shedd quando ele diz que “a liderança de alta qualidade será encontrada entre os mais valiosos tesouros que qualquer comunidade ou organização possui. A liderança de baixa qualidade, ao contrário, produz um desperdício trágico e uma frustração caótica. Líderes de Deus estão sempre em falta” (2000, p. 6).

Precisamos desesperadamente de líderes que Deus usa neste nosso tempo. Olhando para toda esta descrição do século XXI, acredito que o modelo que subsistirá neste tempo, e que fará diferença na vida das pessoas, é o modelo de liderança do Senhor Jesus Cristo. A igreja corre sérios riscos quando olha para os modelos de liderança desta nossa época para abalizar sua atuação. Modelos onde imperam o abuso e a manipulação. Jesus é o líder dos líderes, e é ele quem devemos espelhar. A seguir apresento pelo menos quatro características da liderança de Jesus que, a meu ver, devem estar presentes em todo líder cristão no século XXI.    

1. Um modelo de dependência para um tempo cada vez mais auto-suficiente.

Quando convocou os seus discípulos, a Bíblia diz o seguinte: Depois, subiu ao monte e chamou os que ele mesmo quis, e vieram para junto dele. Então, designou doze para estarem com ele e para os enviar a pregar e a exercer a autoridade de expelir demônios (Mc 3:13-15, grifo nosso).

Fiz questão de destacar as expressões “vieram para junto dele” e “designou para estarem com ele”, para ressaltar que a liderança cristã, acima de tudo, é uma liderança que é feita com base num relacionamento de permanência com o Cristo. Não é raro ficarmos sabendo de comunidades que estão perdidas em suas atividades. Fazem, fazem e não veêm resultados duradouros. Por trás de tudo isso, na maioria das vezes, temos a figura de líderes que acham que podem fazer tudo sozinhos. São auto-suficientes. Não dão o devido valor ao tempo de permanência com Cristo.

Saem para cumprir a segunda parte do versículo 14 – pregar e exercer autoridade (agir) – sem antes cumprir a primeira – estar com ele. Saem na sua própria força e não na dependência de Deus. Não fomos chamados para trabalhar para Jesus, mas com Jesus. Ele viveu uma vida de dependência do Pai (Mc 1:35-36).

Quando escolheu os doze, primeiro orou toda uma noite (Lc 6:12). Foi ele quem disse: Eu sou a videira, vós, os ramos. Quem permanece em mim, e eu, nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer (Jo 15:5). O século XXI é um tempo de constante fazer e, um fazer baseado no conhecimento e força humana, quem não faz fica para trás.

Que os líderes cristão não caiam na armadilha do ativismo que seca a alma.

Por: Eleiton Freitas

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