Livro contrapõe-se à Bíblia e sugere ideia do jargão "todo mundo mente"

Livro contrapõe-se à Bíblia e sugere ideia do jargão "todo mundo mente"

Atualizado: Quinta-feira, 5 Maio de 2011 as 10:21

"Adultérios" é um livro provocante, assustador e libertário. Escrito pelo pediatra e psicólogo francês Aldo Naouri, traça um visceral perfil dos relacionamentos humanos, da infância edipiana ao comodismo de alguns casamentos.

O narrador usa exemplos históricos da manifestação do adultério em mitos, em casos ouvidos em sua clínica e nas evidências do cotidiano, para discorrer sobre um tema que nunca sai de moda, e do desejo humano. Questões básicas, como qual o objetivo do sexo e as diferenças psicológicas e físicas de homens e mulheres, são retomadas, e o texto avança a análise destacando o medo e a adrenalina de escapulir a lei, das descobertas novas e sugere "soluções" para os casos apresentados.

Um jargão atual e que convenientemente faz sucesso é "todo mundo mente". Ideia que se encaixa perfeitamente em um dos temas abordados na obra, "mesmo os casais felizes têm sua história". Será isso mesmo? Será assim mesmo? Ou será só imaginação?

Seja o que for, cria polêmica e interesse do público. Como o próprio Naouri comentou em entrevistas a respeito do livro, o tema precisa ser revisto e repensado sem firulas, pois a própria definição "adultério" é obsoleta, muito presa ainda aos ditados dos dez mandamentos (no caso, o "não cometerás adultério"), é uma concepção superada frente às revoluções sexuais que o mundo experimentou e, aparentemente, quer experimentar.

Ao fim do livro, as provocações continuam na cabeça do leitor instigado. A monogamia faz parte de nossa natureza ou foi imposta pela cultura? E quando a resposta for confirmada, o que se fará a respeito?

São tantas as indagações dos sujeitos quanto os desejos, e em algum momento uma das respostas tomará a frente, e a escolha terá sido feita.  

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