Livro mostra que o Evangelho é mais inteligente do que místico.

Livro mostra que o Evangelho é mais inteligente do que místico.

Atualizado: Quinta-feira, 5 Novembro de 2009 as 12

Por Adriana Amorim - www.guiame.com.br

"Foi um bando de desqualificados que deu início ao fenômeno que ainda hoje encanta e impacta", com esta afirmação aparentemente inculta, o pastor e psicanalista Luiz Leite define o início da Igreja, que não dependeu de intelectuais para que a mensagem do Evangelho fosse pregada.

No entanto, o objetivo de seu novo livro, "A inteligência do Evangelho", é despojar a mensagem dos livros bíblicos de seu caráter místico, e evidenciar um conteúdo documental que define o Novo Testamento, por exemplo, como uma obra histórica.

"O livro tem por propósito desmistificar a mensagem do Evangelho e demonstrar que o seu conteúdo não é apenas uma questão de alta espiritualidade, como geralmente se assume, mas sobretudo uma questão de inteligência", aponta o autor.

Em 1 Coríntios 1:21, o apóstolo Paulo evidencia: "Visto como na sabedoria de Deus o mundo não conheceu a Deus pela sua sabedoria, aprouve a Deus salvar os crentes pela loucura da pregação" . Baseado em Jesus, Luiz Leite fala de "uma inteligência em grau tão decantado que mal podemos alcançar". "Porque a loucura de Deus é mais sábia do que os homens; e a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens" - 1 Co 1:25.

Em entrevista ao Guia-me, o autor explica como destacou em sua obra a inteligência do Evangelho. Fala como a Idade Média contribuiu para a perda de credibilidade da Igreja como instituição, e porque mesmo sendo um livro documentado, a Bíblia não recebe muitas vezes a confiança de intelectuais.

Guia-me: Sua experiência como psicanalista colaborou para a elaboração do livro?

Luiz Leite: O livro não tem uma abordagem "psicologizada" do Evangelho, como se poderia supor, muito embora aqui e ali apareçam algumas considerações de cunho psicanalítico.

Guia-me: Como o senhor demonstra a "inteligência" no Evangelho?

Luiz Leite: A Inteligência de Jesus é flagrante. Tudo que ele faz e ensina é inteligente. Quando nos diz para perdoar o nosso agressor, por exemplo, ele está apontando para uma saída inteligente. Não é uma questão de espiritualidade como comumente se julga. É uma questão de inteligência, só que uma inteligência em grau tão decantado que mal podemos alcançar...O perdão tem a ver com a saúde espiritual e emocional do agredido.

Guia-me: Em seu livro, o senhor aponta que o Novo Testamento é um dos escritos antigos mais bem documentados. Por que, em sua opinião, muitos filósofos não creram nele?

Luiz Leite: Muitos não creram, mas aponto que outros pensadores potentes creram. Muito embora o NT seja tão bem documentado, trata-se de um texto relacionado com o paradigma do mythos, e aqueles filósofos que tentaram desacreditá-lo eram pessoas que tinham suas bases sobre o paradigma do logos. O homem pré-moderno não tinha dificuldade para se relacionar com o fantástico, o homem moderno, entretanto, ao eleger a razão por deusa, rejeitará automaticamente qualquer mensagem cujo conteúdo trate do sobrenatural.

Guia-me: Como a religião na Idade Média contribuiu para que o cristianismo perdesse a credibilidade que tinha junto às pessoas?

Luiz Leite: A igreja degenerou-se de forma muito acentuada durante o período conhecido como a Idade das trevas; a idade chamada Média recebeu um legado bastante corrompido da fé apostólica... Talvez o cristianismo não tenha perdido sua credibilidade, a igreja, todavia, caiu no descrédito em razão dos seus desvios.

Guia-me: Por que muitos intelectuais não enxergam ainda o Evangelho como um livro de sabedoria?

Luiz Leite: Por estarem aprisionados nas cadeias da razão. É absolutamente difícil para esses abandonar as certezas da razão pelas "incertezas" da mística.

Guia-me: O senhor acha que essa descrença está associada à falta de capacitação dos cristãos para a evangelização?

Luiz Leite: Não creio. A mensagem da cruz é mesmo, como disse Paulo, loucura para os que se perdem. O  Evangelho não depende de cristãos intelectuais, afinal, foi um bando de desqualificados que deu início ao fenômeno que ainda hoje encanta e impacta.

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