Livros redescobrem o evangelista britânico Leonard Ravenhill

Livros redescobrem o evangelista britânico Leonard Ravenhill

Atualizado: Segunda-feira, 31 Janeiro de 2011 as 10:43

Para ele, não podia haver meio termo: ou a Igreja moderna adotava os padrões daquela do Novo Testamento ou estava condenada a levar uma existência irrelevante e sem poder. É dessa maneira, um tanto radical para uns, mas necessária para outros, que o evangelista inglês Leonard Ravenhill tornou-se conhecido. No mundo inteiro, seu nome é lembrado por pregações, ensinos e textos inflamados em defesa do avivamento. Já por aqui, ele ficou conhecido por um único livro: Por que tarda o pleno avivamento? (Editora Betânia). Um clássico sobre o assunto, é verdade, com comunidades na internet e altos debates nas redes de relacionamento. Mas, até bem pouco tempo, filho único, publicado pela primeira vez em 1989. Para sorte dos leitores de língua portuguesa, essa situação está mudando e os evangélicos brasileiros estão redescobrindo Ravenhill. Primeiro, a Editora Motivar, de Belo Horizonte, publicou Oração de avivamento, ainda no fim de 2009. Depois, foi a vez da paulista The Way Books editar Sedentos por avivamento (Sodom had no Bible, no orignal). E agora, repete a dose, com Avivamento à maneira de Deus.

Parafraseando o próprio escritor, difícil é entender porque esse investimento em lançar outros de seus livros tardou tanto. Nascido em 1907, na cidade de Leeds, Leonard Ravenhill estudou no Cliff College, onde recebeu treinamento de Samuel Chadwick. Ávido estudante da história da Igreja e dos avivamentos espirituais, destacou-se mesmo no evangelismo. Suas reuniões durante a II Guerra Mundial, na Grã-Bretanha, eram as mais concorridas, a ponto de provocar enormes congestionamentos. Em 1959, mudou-se com a mulher e filhos para os Estados Unidos, onde passou uma década inteira promovendo reuniões de avivamento em tendas. Já nos anos 80, passou a ministrar no Ministério dos Últimos Dias, do cantor Keith Green, e no Bethany College of Missions, em Minnesota, até sua morte, em 1994.

É verdade que muito do que Ravenhill escreveu reflete o tempo em que viveu, os anos da Guerra Fria entre o Ocidente e o mundo comunista, e sempre gira em torno de um chamado ao despertamento. Entretanto, sua mensagem continua atual e oportuna, com críticas a certos padrões que já começavam a dominar as igrejas em sua época: o crescimento apenas quantitativo, a emoção sem mudança de vida, o testemunho teórico e não prático e a falta de compromisso entre as disciplinas cristãs e o trabalho evangelístico e missionário. Não à toa, o autor influenciou uma geração inteira de pregadores, com destaque para Ravi Zacharias, Tommy Tenney, Paul Washer e David Wilkerson, que chegou a dizer que ele escrevia com “o poder e a unção de John Wesley”.

  Frutos permanentes – Não é preciso concordar para compreender que a mensagem de Ravenhill nunca foi tão bem-vinda nestes tempos de Evangelho fácil, que promete recompensas materiais e bem estar pessoal, praticamente escamoteando as pedras no caminho de quem se dispõe a seguir a Cristo. Coincidência ou não, Avivamento à maneira de Deus é uma crítica severa a tudo isso. Numa espécie de atualização de Por que tarda o pleno avivamento, escrito originalmente em 1959, essa obra de 1983 continua direta: o verdadeiro despertamento espiritual traz frutos permanentes e mudanças na sociedade.  Ou em outras palavras: a Igreja ganha o mundo, e não se adapta a ele.

Apesar de não ter um estilo literário acabado, Ravenhill consegue dizer muito em poucas palavras – em partes, graças a suas máximas, recurso no qual era mestre. “Há muitos que dizem estar permanecendo em Cristo. Mas há poucos que mostram estar abundando nele”, escreve o evangelista. Outra: “Um evangelista popular atinge suas emoções. Um verdadeiro profeta alcança sua consciência”. Ou ainda: “Homem dá conselho. Deus dá orientação”. Certamente, ele não agradou a todos, mas, como disse, provavelmente conseguiu entrar na “lista de mais procurados pelo diabo”.

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