Lugares da Bíblia - Ilha do Faraó

Lugares da Bíblia - Ilha do Faraó

Atualizado: Terça-feira, 11 Outubro de 2011 as 10:35

A Ilha do Faraó (Jazirrat Far’aun, em árabe, e I´Faraonim, em hebraico), também chamada Ilha dos Corais, fica no norte do Golfo de Ácaba, litoral oriental da Península do Sinai, no atual Egito. Ao longo dos anos, vários povos se aproveitaram de sua estratégica posição para observação do golfo e pela rota de comércio próxima para usá-la como posto avançado, na qual está uma importante fortificação. Na verdade, a primeira construção do tipo na ilha foi realizada por Hirão, rei de Tiro (cidade no território do atual Líbano), amigo tanto de Davi quanto de Salomão, quase mil anos antes de Cristo (citado em I Reis 9 e 10). Foi Hirão que enviou a Salomão as nobres madeiras de cedro e ciprestes para a construção do grande templo em Jerusalém, cuja réplica está sendo construída em São Paulo, pela Igreja Universal. O rei de Tiro também enviou ao amigo muito do ouro que ornamentou o templo, com o qual também foram forjados vários dos utensílios da histórica edificação.

Tiro era, na época de Hirão, um dos mais poderosos reinos na região do Mediterrâneo. O rei se interessou pela ilha do golfo por sua estratégica posição em uma rota de comércio de seu reino, famoso por seus navios mercantes, com o Egito bem próximo dela. Usou a pequena porção de terra como porto, já que a ilha funcionava como uma barreira natural para as correntes do golfo, deixando as embarcações em segurança. O próprio Salomão abrigou ali sua poderosa esquadra, na famosa expedição de 3 anos que voltou com os navios carregados de riquezas como ouro, prata, marfim e animais exóticos (II Crônicas 8).

Cerca de 2 milênios após, os bizantinos ocuparam a ilha. Depois deles, já no século 12, sua posse foi tomada pelos Cruzados, seguido pelo historicamente famoso rei Saladino (à esquerda), em 1170. Em 1182, o monarca operou uma grande reconstrução das antigas fortificações utilizadas pelos bizantinos e cruzados, modernizando a eficiente estrutura de pedras que, restaurada, até hoje recebe turistas de todo o planeta, cercada pela imponente beleza do golfo, dando um ar medieval à ilha.

O escritor inglês T.E. Lawrence (à direita), também militar, agente secreto, arqueólogo e diplomata que viria a entrar para a história logo depois, mais conhecido como "Lawrence da Arábia", realizou uma expedição ao Sinai em 1914. O agente pediu permissão para visitar a Ilha do Faraó, então sob poder do Império Otomano, e as ruínas do histórico Forte de Saladino. Os otomanos não autorizaram a visita. Lawrence quis ir assim mesmo, mas um barco convencional chamaria muito a atenção. O aventureiro construiu uma jangada rudimentar e chegou à ilha como desejava, clandestinamente, acompanhado por seu guia beduíno.

Hoje, turistas que se hospedam nos balneários de Taba, Eiltar e Ácaba não têm como não incluir em seus passeios uma visita à Ilha do Faraó e ao imponente Forte de Saladino. Da torre mais alta da edificação, é possível ver ao longe quatro países: Egito, Israel, Jordânia e Arábia Saudita.

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