Lugares da Bíblia - Laodiceia

Lugares da Bíblia - Laodiceia

Fonte: Atualizado: sábado, 31 de maio de 2014 09:24

“ E ao anjo da igreja que está em Laodiceia escreve: Isto diz o Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação de Deus:

Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente; quem dera foras frio ou quente!

Assim, porque és morno, e não és frio nem quente, vomitar-te-ei da minha boca.

Como dizes: Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta; e não sabes que és um desgraçado, e miserável, e pobre, e cego, e nu;

Aconselho-te que de mim compres ouro provado no fogo, para que te enriqueças; e roupas brancas, para que te vistas, e não apareça a vergonha da tua nudez; e que unjas os teus olhos com colírio, para que vejas.

Eu repreendo e castigo a todos quantos amo; sê pois zeloso, e arrepende-te.

Eis que estou à porta, e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo.

Ao que vencer lhe concederei que se assente comigo no meu trono; assim como eu venci, e me assentei com meu Pai no seu trono.”

O trecho de Apocalipse (3:14-21) refere-se a uma das igrejas às quais o apóstolo João exortou, inspirado por Cristo, em suas visões que deram origem ao último livro da Bíblia. Na carta enviada à cidade, uma das mais prósperas do Império Romano na Ásia Menor, o autor explora características bastante próprias dos laodicences, então uma igreja que vivia de aparências, sem uma verdadeira entrega a Deus. Bonitas roupas cerimoniais, rituais cheios de pompa, boa condição econômica e muitos outros aspectos aproximavam o povo daquele lugar mais da religiosidade que de viver de fato a Palavra.

Fundada por volta de 250 antes de Cristo (a.C.) em território hoje pertencente à Turquia, a cidade era famosa por suas águas termais ricas em sódio e cálcio, que pesquisas atuais revelaram benéficas à saúde. Localizava-se em um ponto convergente das três estradas mais importantes do império a que se submetia. O comércio e as influências culturais eram intensos.

Nos 3 séculos após Cristo, Laodiceia era famosa por suas fábricas (ainda que bem rústicas, convencionais, mas com produção em massa que abastecia várias regiões), empresas financeiras (que deram origem aos atuais bancos) e uma famosa produção têxtil de muita qualidade e beleza. A lã negra era uma matéria-prima abundante e valorizada, com a qual se faziam tecidos lustrosos e vistosos – o mesmo material que também dava origem ao grosso e resistente tecido com que o apóstolo Paulo fabricava suas tendas, atividade que garantia seu sustento financeiro. A pompa era refletida em seus imponentes edifícios, teatros gloriosos e até mesmo escolas consagradas, voltadas às ciências, inclusive a medicina.

Na era neotestamentária, Laodiceia enriqueceu ainda mais, e tal riqueza gerou ainda mais soberba e orgulho. No ano 60, um grande terremoto destruiu boa parte da cidade. Roma ofereceu uma vultosa verba para a reconstrução, mas os laodicenses, orgulhosamente, recusaram o dinheiro. Reedificaram tudo com os próprios recursos, ensoberbecidos de sua aparente auto-suficiência.

“Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta”. O citado trecho de Apocalipse mostra bem o pensamento laodicence. De nada adiantou toda a estrutura física e financeira, se os cidadãos locais não se submetessem a Deus. De tanta pompa e orgulho, nada restou. Hoje, uma das mais fortes e influentes cidades de sua época não passa de um punhado de ruínas tomadas pelo mato, ainda que os achados arqueológicos sejam de grande valia para os estudiosos de história.

Fundada pelo rei selêucida Antíoco II, a cidade foi batizada em honra à sua esposa Laodice. Também é citada pelo apóstolo Paulo em Colossenses 4:15-16, evidenciando uma ligação entre as igrejas de Colossos e a de Laodiceia: “Saudai aos irmãos que estão em Laodiceia e a Ninfa e à igreja que está em sua casa. E, quando esta epístola tiver sido lida entre vós, fazei que também o seja na igreja dos laodicenses, e a que veio de Laodiceia lede-a vós também.”

Uma igreja é vista pela característica das pessoas que a compõem. Então, uma transformação geral parte de uma mudança individual. Mudando intimamente em sua confiança e obediência a Deus, o indivíduo influencia o grupo. E a mudança, promovida pelo Espírito Santo, não é uma mudança somente em palavras, mas de vida. Se um ser humano é de fato transformado pelo Espírito, seu semelhante percebe que isso é realmente possível, e passa a querer o mesmo, submetendo-se realmente ao Pai.

De fato, ao contrário de outras cidades famosas pelas cartas paulinas, não há registros históricos de que Laodiceia tenha sido muito atuante na difusão do Evangelho, como foi Éfeso. Os laodicenses ficaram marcados na Bíblia como exemplo de cristãos sem um posicionamento definido, que diziam se submeter a Deus, mas confiavam mais no fruto do esforço de suas mentes e braços. Importavam-se mais com seus próprios egos do que com o verdadeiro amor pelo próximo. Sua igreja tinha como base simples pedras, e não o verdadeiro alicerce espiritual: Jesus. De nada adiantou qualquer força do dinheiro, do poder e do orgulho, dos quais restaram apenas ruínas em meio ao deserto.

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