Lugares da Bíblia - Petra

Lugares da Bíblia - Petra

Atualizado: Terça-feira, 11 Outubro de 2011 as 10:32

Descoberta oficialmente pela civilização ocidental em 1812, em uma expedição do explorador suíço Johann Ludwig Burckhardt, Petra, na atual Jordânia, é mundialmente conhecida por ser uma cidade literalmente escavada em penhascos, abrigados do calor do deserto por estarem em uma fenda que possibilitava a habitação. Acredita-se que Petra é a bíblica Selá (ambas as palavras, respectivamente do grego e do hebraico primitivo, significam “pedra”), citada em livros como 2 Reis (14:7) e Isaías (16:1). A visitação turística aumentou bastante após a cidade servir de cenário para o filme “Indiana Jones e a Última Cruzada” (1989), com Harrison Ford e Sean Connery.

Capital dos antigos Nabateus, Petra se localiza em um longo vale abrigado do deserto por rochas areníticas. A cidade só era acessível por um estreito cânion com paredes de até 200 metros de altrura, que a manteve escondida do mundo exterior por mais de 600 anos, tida até mesmo como uma localidade lendária. Burckhardt e seus expedicionários descobriram cerca de 800 cavernas escavadas diretamente na rocha, com ecléticos elementos arquitetônicos nabateus, egípcios e mesopotâmicos, além de algumas referências romanas.

Rezava a lenda que o exército do faraó que perseguia os hebreus chefiados por Moisés no Êxodo carregava consigo um tesouro, como era de costume à época. Mas o valioso fardo era pesado e continha o avanço das tropas. O faraó teria ordenado, então, que os bens preciosos fossem depositados em uma fenda intransponível. O exército egípcio teria achado o templo principal de Petra entre as rochas e ali depositado o tesouro, sinalizando-o com uma escultura acima do portal principal, recheada de ouro puro. A lenda fez com que, nos séculos 19 e 20, beduínos atraídos pela história dessem tiros com suas carabinas na citada escultura para ver se havia ouro em seu interior. A peça até hoje tem as marcas das balas. Por causa da lenda, o prédio principal é chamado de Tesouro do Faraó, ou simplesmente O Tesouro. Algumas das torres dos templos chegam à altura de um edifício moderno de 20 andares .

Os povos beduínos acreditam que Aarão, irmão de Moisés, foi enterrado em uma das tumbas de Petra. Acreditam até mesmo que o vale foi aberto pelo próprio Moisés quando ele tocou uma rocha com seu cajado, fazendo dela brotar água (não à toa, a região também é conhecida como o Vale de Moisés, nas Montanhas Edomitas, ao sul do Mar Morto). Os antigos petrenses desenvolveram um longo aqueduto que acompanha as paredes do cânion que dá acesso à cidade por cerca de 2 quilômetros, à altura da cintura de um adulto. Sempre à sombra, a água de nascentes chegava fresca à cidade, armazenada em uma cisterna central com um tamanho comparável ao de uma atual piscina olímpica, sempre abastecida. Estudiosos afirmam que a população local era de cerca de 20 mil pessoas.

A cidade ficava à beira da rota comercial dos nabateus, que transportavam seda e especiarias do Egito, Índia Síria e outras regiões, incorporando aos poucos, por isso, elementos internacionais à cidade no concernente à tecnologia, arte e arquitetura. Acreditava-se que o idioma predominante era o aramaico, mas arqueólogos descobriram, em 2002, documentos escritos em grego e até mesmo em latim.

Patrimônio da Humanidade

Petra foi atingida por um forte terremoto no ano 363 e parte dela foi destruída. Depois disso, foi abandonada por seu povo, temente de novos tremores, e nunca mais foi reconstruída. Outra especulação dos estudiosos é a de que os abalos também impossibilitaram a chegada da água ao local. Parte das bem elaboradas esculturas de edificações e estátuas também foram destruídas pela ação do tempo (como os fortes ventos e tempestades de areia que ainda “comem” a pedra, com forte erosão).

Devolvida aos mapas por Burckhardt, Petra deixou de ser lenda e voltou à realidade. Em 1985, foi reconhecida pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) como Patrimônio da Humanidade, sendo uma das mais espetaculares cidades da Antiguidade ainda remanescentes. Em 2004, o governo da Jordânia contratou uma prestigiada empresa inglesa de engenharia para construir uma moderna rodovia para levar estudiosos e turistas à cidade, que fica a cerca de 260 quilômetros da capital do país, Amã. Em 2007, Petra foi eleita uma das novas Sete Maravilhas do Mundo.

O filme de Steven Spielberg e George Lucas (cena na foto) impulsionou bastante o turismo, o que o governo jordaniano não achou nada ruim. Tanto na ficção como na realidade, nem mesmo os exploradores Indiana Jones e Johann Burckhardt tiveram a exata ideia do valor do tesouro cultural que devolveram ao mundo.

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