Mãe é esfaqueada por filho viciado em crack

Mãe é esfaqueada por filho viciado em crack

Atualizado: Terça-feira, 8 Junho de 2010 as 9:10

Marcelo (nome fictício) tem 17 anos. Ontem, ele passou o dia em uma cela destinada a pessoas com menos de 18 anos. Antes de ser trancafiado, morava com a mãe em um bairro tranquilo de Camaragibe, na Região Metropolitana do Recife. Na madrugada do último domingo, tudo mudou. Marcelo tentou matar a própria mãe.

A história de Marcelo faz parte de uma tragédia cada vez mais presente na vida real. Antes dos 15 anos, começou a fumar maconha. Dois anos depois, veio o crack e, junto com ele, um comportamento perigoso. Por conta da dependência do filho, a mulher conta que precisou se mudar do bairro onde morava. Fugia dos traficantes e das constantes cobranças.

Uma mudança que com o tempo mostrou ser apenas de endereço. Cercada de promessas do filho de deixar a droga, a mãe conta que seguiu adiante no novo bairro, onde moravam juntos em uma casa simples. Tentou interná-lo, cedeu dinheiro na tentativa de evitar que roubasse na rua, desejou a ida dele para a igreja- ela frequenta a Assembleia de Deus, mas nada deu certo. A vida de Marcelo teria desandado mais ainda depois do fim de um namoro.

Tragédias acontecem, mas a mãe de Marcelo, não imaginou que seria exatamente com ela. Culturalmente se diz que mãe é aquela que tira do perigo, que dá a vida ao filho e em troca recebe proteção, respeito. Já era madrugada quando essa ordem foi abaixo na casa daquela mulher.

Na noite do domingo, foi à igreja evangélica e orou pelo filho. Chegou em casa e mais uma vez encontrou com ele que, sem maiores explicações, pedia dinheiro. A mãe tirou R$ 4 que restavam na carteira, cedeu as cédulas sem perguntas e tentou dormir. Mais uma vez, sozinha.

O despertar foi assustador. Ainda no meio da madrugada, sentiu alguém prendendo ela contra a cama, armado com uma faca. Era o filho dependente de crack. Desesperada e ferida, tirou das roupas um dinheiro que ainda restava e escapou. Ele deu vários golpes no rosto, ombros e pescoço e braços, mas sem gravidade. A mulher acredita que conseguiu escapar do filho até mesmo em função do seu estado drogrado. Na rua, pediu ajuda com o rosto ensanguentado, enquanto o filho saía de casa, como se nada tivesse acontecido.

Por pouco, Marcelo não foi linchado pela vizinhança. Lá todos conhecem a luta da mãe pelo filho dependente. Não querem mais vê-lo por lá. Levada para o Hospital da Restauração em uma viatura da Polícia Militar, foi atendida e recebeu alta no início da tarde de ontem. Por enquanto, não quer voltar nem mesmo para o quarto onde quase morreu nas mãos do filho. Marcelo vai esperar sua definição na Justiça e por enquanto aguarda no Centro de Internação Provisória.

Famílias destruídas pelo crack são frequentes em Pernambuco. Em maio, um jovem de 20 anos viciado em crack, que chegou a ser acorrentado em casa e denunciado à polícia pela própria mãe, foi assassinado, supostamente por traficantes. No mesmo mês, um outro se entregou à polícia por medo de ser assassinado também por traficantes da "pedra".

Enfrentamento

No mês passado, o governo do estado lançou o Plano de Ações Sociais Integradas de Enfrentamento ao Crack. O plano prevê, entre outras ações, a ampliação dos espaços de internação e acolhida, que ganharão 4.232 vagas, passando das atuais 1.412 para 5.644. Outra novidade é a união das igrejas evangélica e católica com o estado para prevenir, acolher e ajudar a reinserir os usuários do crack na sociedade.Paralelamente às ações, o governo vai capacitar 20 mil pessoas, entre agentes de saúde e voluntários, para baterem à porta de 1 milhão de famílias em todo o estado para que seja feito um raio-x dos dependentes. O objetivo é conhecer a realidade e o dama das famílias para poder lançar programas sociais direcionados aos fasmiliares e dependentes da drogra.

Postado por: Felipe Pinheiro

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