Maldições Hereditárias: o corredor obscuro

Maldições Hereditárias: o corredor obscuro

Atualizado: Sexta-feira, 3 Junho de 2011 as 1:50

Josué 6.26: E naquele tempo Josué os esconjurou, dizendo: Maldito diante do SENHOR seja o homem que se levantar e reedificar esta cidade de Jericó; sobre seu primogênito a fundará, e sobre o seu filho mais novo lhe porá as portas.

Assim era o SENHOR com Josué; e corria a sua fama por toda a terra.

Caminhemos um pouco nesse corredor obscurecido sobre as “Maldições Hereditárias”, vemos aqui o primogênito e o mais novo prejudicados pelo que fizeram seus pais. A casa do sacerdote Eli sofreu consequências para sempre por causa do pecado de seus filhos (1Sm 3.12-14).  Isso parece uma maldição, mas veio de Deus, não do diabo.

Samuel fora criado por Eli, e como ele, foi um sacerdote, comprometido com Deus e levava sua vida espiritual a sério, mas repetiu os mesmos erros de relacionamento com os filhos. Samuel não herdou o sangue de Eli, mas herdou o seu comportamento. Há, portanto, uma indicação de que as consequências dos problemas familiares têm mais a ver com a repetição de erros aprendidos por convivência, do que com os laços sanguíneos.

“Tendo Samuel envelhecido, constituiu seus filhos por juízes sobre Israel. O primogênito chamava-se Joel, e o segundo, Abias; e foram juízes em Berseba. Porém seus filhos não andaram pelos caminhos dele; antes, se inclinaram à avareza, e aceitaram subornos, e perverteram o direito” (1Sm 8.1,2; grifos do autor).

Antes de prosseguirmos, vou fazer uma afirmação: Não encontramos no Antigo Testamento indícios de que estamos autorizados a jogar sobre nossos antecedentes a responsabilidade do nosso pecado. O pecado do meu pai é só dele e o meu é só meu, mesmo que seja do mesmo gênero, número e grau (Ez 18.19,20).

Admito a possibilidade de que algum de meus antepassados tenha introduzido a prática de um pecado que acabou se transformando em um estigma familiar. Também é possível que as consequências desse pecado afetaram minha família por várias gerações. É igualmente provável eu ter escolhido levar adiante a prática desse pecado.

Queremos o pecado, mas exorcizamos as suas consequências. Diante disso, pergunto: Devemos quebrar maldições hereditárias ou pecados hereditários? O salário do pecado é a morte.

A maldição “perde o gás” quando o pecado que o gerou é abandonado. Não basta recitar fórmulas litúrgicas tipo: Está quebrado ou ainda: Está amarrado.

Normalmente, as pessoas se preocupam mais com os sintomas do pecado do que com o pecado propriamente dito. Não é muito frequente receber pessoas que pedem para tirar delas a ira, a amargura ou a inveja. Geralmente, a conversa é mais ou menos a seguinte: “Ore para que eu possa permanecer no emprego por mais do que três meses”. “Ore para que não volte a engravidar, já estou cansada dessa história de mãe solteira.” Se algo assim está acontecendo com você, é porque algum detalhe em seu comportamento atrai males.

Assim que comecei a lidar com pessoas endemoninhadas, a minha reação frente a algum tipo de manifestação era mais ou menos esta: “Sai espírito de desemprego!!!!” Com o tempo, percebi que essas manifestações eram apenas a ponta do iceberg. Os verdadeiros motivos permaneciam submersos.

É necessário mergulhar em águas frias se quiser ter uma visão total do problema. Nem todo mundo está disposto a mergulhar nessa “gelada” e tratar o problema com profundidade. É mais fácil partir pro grito, fazer cena e se despedir dizendo: “Vai em paz”.

Geralmente, as pessoas relatam sintomas ou consequências de seus erros, que causam incômodos, não relatam as causas, mas são elas que devemos procurar e não o demônio que está pendurado nesse gancho [veja mais em 2Samuel 12.10].  

Ubirajara Crespo

Ubirajara Crespo é pastor, escritor, conferencista, editor e diretor da Editora Naós.

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